À partir de agora, todas as notícias relacionadas ao Chris Evans, sejam elas fotos ou entrevistas, por exemplo, serão postadas em nossas redes sociais. O site será para fins de divulgação de fotos e das redes sociais do CEBR. Acompanhe a seguir!

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21.04.2020

Hollywood está passando por momentos, particularmente, de ansiedade. Filmagens estão paralisadas e o lançamento de filmes foram adiados. Nunca esteve tão quieto na capital global do entretenimento. Onde, como e com quem as estrelas de Hollywood estão passando essa quarentena? Na entrevista de hoje, Kristien Gijbels conversa com Chris Evans.

Chris Evans, 38 anos, está atrasado. Você pode pensar que não existe nenhuma desculpa para estar atrasado por causa da confinamento, mas o astro de “Vingadores” estava incapaz de se conectar no vídeo da plataforma BlueJeans. Depois de dez tentativas frenéticas de fazer a plataforma funcionar, ele pergunta se é okay se um dos publicitários dele possa adicioná-lo. Ele entra na chamada via telefone. Com cinco outras pessoas de sua comitiva que precisam se certificar de que não fazemos perguntas muito irritantes. Não é incomum em Hollywood. “Desculpe pelo começo difícil!” Evans ri quando conseguimos ele na linha depois de algumas entradas e saídas. Como um agradecimento, ele adiciona um tempinho extra, embora ele tenha que sair às 18:50, pois tem outros compromissos importantes. A vida de uma astro de cinema também é corrida como um trem no período de isolamento social.

Em Hollywood, está acontecendo uma grande “seca” no momento. Muitos condomínios de luxo nas colinas estão vazios porque as celebridades estão voando de volta para suas famílias ou outras casas para não passarem o isolamento sozinhos. Evans também embarcou apressadamente para a Costa Leste com seu cachorro, Dodger, no mês passado. O ator trocou a vista de tirar o fôlego do seu jardim em Laurel Canyon pela selva de concreto que é Boston: “Eu estou de fato de volta a Massachusetts, onde eu cresci. Agora, mais do que nunca, é importante estar com a minha família. Mesmo assim, ainda é um pouco de mudança por aqui, graças às grandes incertezas que cercam o coronavírus que assusta bastante a todos nós. Estas são condições sem precedentes, embora eu esteja feliz que agora estou com as pessoas que eu mais amo.”

Segundo o site do IMDb, Evans tinha vários projetos em andamento, mas o ator diz que, por enquanto, será poupado do campo profissional: “Tudo por agora está oficialmente parado, sim, mas as gravações foram simplesmente adiadas para próximas datas. Sendo bem honesto, eu não espero muitos problemas e eu assumo que nós conseguiremos assumir de onde paramos assim que a crise acabar. Ambos os projetos ainda estão no seu começo, então nenhum dinheiro ou trabalho foi perdido.”

O lançamento do seu site político “A Starting Point” que já deveria estar online por agora, também foi adiado até o final do verão estadunidense (entre julho e agosto). No último ano, Evans estava ocupado construindo um site para as pessoas que queriam aprender sobre política. Por exemplo, palavras complexas são explicadas da maneira mais simples possível e 160 políticos tomam diferentes posições em vídeos concisos de 2 minutos.

O conceito surgiu quando Evans queria procurar por um termo político e os parágrafos sem fim do Wikipedia não o ajudaram: “Ela deve se tornar uma plataforma onde informações muito básicas são dadas ao público que não sabe nada sobre política e querem aprender. Porque quanto mais conhecimento e interesse se tem, mais as pessoas irão eventualmente para as eleições.”

Embora ele tenha sido um crítico ferrenho do presidente Trump diversas vezes no passado, ele diz que agora se tornou mais cauteloso em suas declarações. Por exemplo, muitos Republicanos (partido conservador estadunidense) se recusaram a colaborar com o site, em represália a preferência política de Evans. Comentários sobre como Trump está lidando com a crise do Covid-19 estão subitamente muito mais sensíveis a ele: “Não ouso dizer nada sobre isso, porque ainda estão faltando muitas figuras e informações. Como um ator, sempre foi um pouco complicado expressar sua opinião abertamente, porque essas coisas sempre voltam à sua cara como um bumerangue. Eu acho que ficarei um pouco quieto enquanto eu não tenha todos os fatos.”, parece genuíno e firme.

Mas como o Capitão América lida com o dia-a-dia quando não há mais gravações de filmes e o site dele está offline? “Eu passo a maior parte do tempo no meu jardim com meu cachorro, ou na cozinha. Meu cão é claramente o grande ganhador aqui (risos). Eu estou tentando manter parte da minha rotina no meu dia. Eu sou uma pessoa que prefere ficar em casa, então eu não sinto o desejo urgente de ir para fora todos os dias. A maior parte do meu tempo livre agora eu dedico a ler livros e cuidar do Dodger.” Assistir TV, surpreendentemente, não é o suficiente para Evans: “Eu não sou um telespectador de TV, na verdade. Loucura, né? (risos) Mas quando eu estou zapeando, eu geralmente fico nas séries de comédia como “Seinfeld”, “The Office”, “Arrested Development” e “Curb Your Enthusiasm”.

Evans comenta que o confinamento tem feito ele um pouco mais ativo: “E o meu padrão de sono também está muito melhor. Eu geralmente estou indo dormir as 21:30 e estou acordado às 7 da manhã. Todos os dias. Parece a vida de um monge, mas esse é o jeito que eu gosto. A vantagem é que agora eu tenho mais tempo para organizar meu dia ordenadamente. Eu percebi que agora faço muito mais e economizo muito tempo valioso porque não estou mais constantemente na estrada.”

Com os rumores que estaremos em isolamento social até pelo menos 2021, a estrela da Marvel teme que a vida nunca mais será como era antes: “Eu queria ter superpoderes na vida real, porque aí o mundo pareceria muito melhor do que agora (risos). Ninguém sabe exatamente quando vai acabar, mas nós podemos dizer com certeza é que ainda teremos que nadar por águas turbulentas. Não ouso prever como será o mundo em duas semanas ou até três meses, mas provavelmente não será como costumava ser.”

Evans diz que nós percorremos um longo caminho com uma mentalidade positiva: “Essa é a época perfeita, para muitas pessoas, para finalmente fazer as coisas que eles nunca tiveram tempo para fazer antes. A vida continua e a vida “real” eventualmente voltará. Agora eu estou especialmente feliz de estar a salvo e poder passar todo o meu tempo livre com a minha família.”

 

**A entrevista foi concedida à jornalista Kristien Gijbels para um portal Belga com acesso apenas por assinatura.

 

Tradução: Amanda Gaia

Créditos: cevanssweater – Disponibilizou a entrevista em inglês no twitter.

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20.04.2020

Seria difícil encontrar alguém que conheceu Chris Evans quando ele estava crescendo nos subúrbios ocidentais de Boston e que ficaria surpreso ao descobrir que ele se tornou ator. Sua mãe é diretora do Concord Youth Theatre, onde Evans, 38 anos, teve seu primeiro gosto pelo teatro aos 9 anos.
Evans se manteve lá até o ensino médio, e então se mudou para Nova York para estudar o ofício de atuação e conseguiu alguns trabalhos de TV e cinema (em séries – “Opposite Sex” – e filmes – “Não é Mais Um Besteirol Americano”- que você pode não ter conhecido). E ele continuou trabalhando em personagens variados, desde Johnny Storm, o tocha humana, que roubava cenas em “Quarteto Fantástico”, até o assustador Sr. Freezy, no sombrio filme de assassinato “O Homem de Gelo”. O papel do Capitão América fez dele uma estrela, mas Evans continua experimentando diferentes tipos de personagens, desde o tio preocupado e amoroso de uma jovem prodígio de matemática em “Gifted” (Um Laço de Amor) até o enigmático Ransom Drysdale em “Knives Out” (Entre Facas e Segredos).
Evans mostra novamente seu lado drámatico em “Defending Jacob”, nova série da Apple TV+, onde ele interpreta Andy Barber, ao lado de Michelle Dockery como sua esposa, Laurie, e Jaeden Martell como seu filho, Jacob, que é acusado de assassinar um colega da escola. A série de oito episódios também investiga o passado obscuro de Andy.
Atualmente, no meio de um período de inatividade da atuação por causa do auto-isolamento, Evans trabalha duro em seu próximo site, A Starting Point, no qual ele vai entrevistar políticos de Washington de ambos os lados (republicanos e democratas), dando a eles a oportunidade de abordar brevemente uma variedade de questões políticas, com respostas dirigidas ao público em geral.
Evans falou sobre a nova série, sua carreira e A Starting Point por telefone em sua casa nos arredores de Boston.

P: Sua biografia menciona que você cresceu em Sudbury, mas que sua família se mudou para lá quando você tinha 11 anos. De onde você é?
R: Antes de Sudbury, era Framingham. Minha mãe é de Somerville, e é lá que a maioria da nossa família ainda está.

P: Quais foram suas primeiras experiências de atuação no Concord Youth Theatre?
R: Eu fiz “Uma Dobra no Tempo”, “Vivendo na eternidade”, “Anne Shirley e Anne de Green Gables” – você sabe, tarifa padrão de teatro infantil. Certamente não pretendo menosprezar eles, porque é aí que você realmente se familiariza (com a atuação), encontra a sua paixão. No ensino médio teve um pouco mais de coisas de adultos. Você sabe, você pode tentar Shakespeare. Mas também é quando você começa a planejar o futuro, e foi quando eu soube o que queria fazer. No verão depois do meu penúltimo ano no ensino médio, me mudei para Nova York. Esse foi o teste decisivo, e eu voltei mais forte como resultado das dificuldades que passei.

P: Qual foi seu primeiro trabalho como ator pelo qual você foi pago?
R: Não era nem mesmo um trabalho de ator. Foi quando os CD-ROMs eram um grande negócio, e eu interpretei um personagem em algum jogo de CD-ROM. Eu falava com a tela e tinha um pouco de sessão de fotos. Demorou dois dias e eu devo ter ganhado uns 300 dólares, mas estava adorando.

P: Como “Defending Jacob” entrou na sua vida?
R: Foi um roteiro que minha equipe me enviou. Eu me encontrei com o [diretor] Morten Tyldum e o [criador da série] Mark Bomback, e eles me deram a apresentação sumária (que tem como objetivo atrair financiamento para pagar pela escrita de um roteiro). Você pode ler somente um episódio, e eu peguei o piloto. Depois eles mostram para você o resto da série. Eu tive mais algumas reuniões com Mark e algumas perguntas, mas toda vez que nos sentávamos para conversar, ele apenas deixava minhas preocupações à vontade.

P: Me conte um pouco sobre seu personagem, Andy.
R: Ele é o promotor assistente em Newton, Massachusetts. Ele é um bom homem, um homem simples, e joga limpo. Mas ele é de poucas palavras, calado e vem de uma infância um pouco dura. Como resultado, acho que ele pode ser difícil de se compreender. Você percebe que é por causa de uma culpa que carrega e de um fardo que sente, e quando seu filho é acusado de assassinato, isso se torna uma espécie de válvula de liberação de pressão que afunda todas essas coisas antigas.

P: “Defending Jacob” e seu filme de 2017 “Gifted” (Um laço de amor) compartilham o tema da importância de dizer a verdade. Isso foi parte do que te atraiu para eles?
R: Claro. Mas eu iria um pouco mais a jusante. Acho que quando você não diz a verdade, um subproduto disso é a culpa, e acho que a culpa é realmente uma coisa divertida de explorar. Quando você tem que viver com isso por um longo tempo, e a vergonha que o acompanha… mesmo que você a enterre, ela ainda tem um eco e ainda desempenha um papel. Nesta história, você tem um cara que encontrou algum tipo de paz e equilíbrio ao aceitar sua culpa, vergonha e segredos. Mas então ele precisa enfrentar eles da maneira mais pública possível. Isso foi realmente interessante e emocionante para mim.

P: Qual é a situação atual de A Starting Point? Eu tinha lido que deveria ter sido lançado em fevereiro.
R: Sim, deveria ter sido, mas então toda essa loucura aconteceu. Então, como tantas outras coisas agora, estamos em um padrão de espera. Estamos apenas esperando a hora certa. Obviamente precisamos que Washington D.C. esteja em funcionamento, porque precisamos que as pessoas estejam na Colina do Capitólio para que isso funcione. Precisamos desse tipo de comunicação e conectividade acontecendo. Então, em um mundo perfeito, no final do verão (estadunidense), esperançosamente as coisas voltam a ser reconhecíveis novamente.

“Defending Jacob” estréia na Apple TV em 24 de abril.

 

Tradução: Júlia Castilho

Créditos: Chris Evans Brasil

Fonte: Wicked Local, MedFord.

 

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08.04.2020

O ator anteriormente conhecido como Capitão América ganhou liberdade na carreira. Mas primeiro, ele só quer sair com seu cachorro, Dodger.

O artista anteriormente conhecido como Capitão América é encontrado isolado em sua fazenda, afastada da estrada em alguns acres silvestres nos subúrbios de Boston, não muito longe de sua casa de infância. É uma tarde quente de final de inverno. As árvores estão nuas. O céu está limpo. Manchas de neve derretida cobrem o chão.
Com seu aniversário de 40 anos no horizonte, Chris Evans aparenta ter se retirado, retornando ao terreno familiar para se reagrupar. Com o Universo Cinematográfico Marvel para trás, o ator tem o tempo, o dinheiro e os recursos para ir atrás de qualquer coisa que ele queira.
Tudo o que ele precisa fazer é descobrir o que é isso exatamente.
Evans está sentado em uma poltrona perto de uma lareira apagada em uma área perto da cozinha, uma sala informal que você pode chamar de escritório. Os móveis parecem modernos de meados do século, um estilo frequentemente visto em Los Angeles, onde ele tem uma casa em Hollywood Hills. Evans é acolhedor, mas não caloroso ou maneiro de um jeito que mostra que a forma se sobrepõe ao conteúdo. Em pessoa, ele se parece muito com o cara na tela; o tronco superior é esculpido de uma maneira que sugere que ele ainda está usando seu uniforme dos Vingadores sob a camisa de flanela de tartan verde. Seu boné tem um trevo na parte da frente.
O vira-lata de Evans está cochilando aos meus pés, deixando escapar um peido ocasional. O nome dele é Dodger, em homenagem ao personagem favorito de Evans no filme da Disney: Oliver e sua Turma – o vira-lata malandro que lidera a gangue de órfãos de Fagin. Os dois se conheceram em 2016 em um abrigo de resgate em Savannah, onde Evans estava filmando uma cena para o filme que deixa seu coração quentinho Um Laço de Amor.
Você nunca saberia das condições impecáveis das instalações, mas ontem à noite Evans fez uma festa karaokê com alguns amigos. Eu pergunto a ele sua escolha de música favorita. “Você não pode errar com Billy Joel”, diz ele. (Coincidentemente, foi Joel quem dublou Dodger no filme de animação.) Sua galera que o acompanhou ao longo da vida inclui um cardiologista, um engenheiro, um cara de computador. Como Evans, eles se saíram bem, mas se mantiveram pela cidade, enraizados em sua terra natal, fãs obstinados do Red Sox e as mudanças nas estações.
O mais recente projeto de atuação de Evans, Defending Jacob, está prestes a estrear na Apple TV+. No programa, ele interpreta um promotor assistente em uma pequena cidade que se vê dividido entre suas responsabilidades profissionais e seu amor por seu filho adolescente, que foi acusado de um assassinato horrível. À medida que os episódios prosseguem, o personagem de Evans confronta seu próprio passado secreto.
A série limitada foi filmada nos subúrbios de Boston. “Parecia que eu tinha um emprego regular das nove às cinco”, diz ele. “Eu dormia na minha própria cama; eu via minha família nos fins de semana. Muitas vezes você tem um estilo de vida nômade como ator. Você mora em malas e em cidades que não conhece. Fazendo Defending Jacob me fez sentir como se eu estivesse em casa, mas ainda fazendo o que amo. Foi incrivelmente reconfortante.” Apesar de suas outras residências, ele considera essa a sua casa. Ele passa muito tempo com seu irmão, o ator Scott Evans (One Life to Live, Grace & Frankie); sua irmã mais nova, Shanna; e sua irmã mais velha, Carly e os filhos dela. Ele costuma ligar para sua mãe, Lisa, dez minutos antes do jantar para dizer que ele vai visitá-los para comer.
Estamos na metade das nossas duas horas juntos quando trago algumas fofocas de Hollywood: a equipe de Evans está em negociações para ele desempenhar o papel do dentista sádico no remake do musical A Pequena Loja dos Horrores, retratado no filme de 1986 por Steve Martin. Evans mencionou seu interesse no projeto no ano passado. Seu único reconhecimento público das notícias recentes foi um tweet misterioso – um emoji de dente com um ponto de exclamação.
Ele atua desde os nove anos de idade, quando seguiu Carly até o Concord Youth Theatre. (Quando ela tinha doze anos, lembra Evans, ela estrelou uma produção como Audrey, a protagonista feminina da Pequena Loja.) Todos os quatro irmãos Evans estavam ativos no CYT; eventualmente, sua mãe se tornou diretora artística. Pergunto-lhe se seu interesse pelo remake do musical reflete um amor de infância pelo teatro musical.
Uma nuvem desce sobre seu rosto. A sobrancelha dele escapa. Ele se move desconfortavelmente em sua cadeira.
“Não é como ‘Oh, eu amo musicais!'”, diz ele, fazendo um movimento de jazz com as mãos.
No começo, não sei dizer se ele está brincando.
Durante o tempo que passei com ele, a mesma sequência será repetida várias vezes: lancei a ele o que considero uma pergunta simples de responder… e de repente ele está me encarando como se eu fosse a Caveira Vermelha, o inimigo nazista do Capitão América.
Ou talvez não Caveira Vermelha. Mas você entende o que estou dizendo. Ele me dá um olhar desconfortável que me avisa que ele não está satisfeito. É como se ele estivesse esperando, pronto para isso. Que flecha esse cara lançará a seguir?
Aos trinta e oito anos, Evans é vinte anos mais novo que eu. Nunca tive 70 milhões de dólares no banco, mas passei por muitas passagens da vida. Para mim, quarenta anos era uma boa idade. Eu me senti fazendo novas conexões; as coisas começaram a se unir de uma maneira que nunca antes. Mas quarenta anos também é uma idade difícil. Eu percebi que estava praticamente jogado na metade do caminho. Quando isso entra na sua cabeça, não desaparece. As escolhas começam a parecer mais preciosas. Você não quer estragar tudo.
Com Evans, sinto que estou encontrando uma super-estrela naturalmente tímida que sente como se tivesse feito um zilhão de entrevistas demais, como se estivesse sempre se resumindo a uma essência que não começa a refletir com precisão suas muitas nuances. Sua vontade de se explicar se esgotou.
Sua voz leva o tom de um professor sobrecarregado tentando instruir um aluno que precisa de uma ajuda extra.
“Quando criança, teatro é o que está disponível para você, peças locais. E geralmente vai ser um musical. Mas os musicais não são a coisa pela qual me apaixonei. Eu apenas gostei de atuar. Eu tenho uma queda por teatro, porque foi uma parte tão grande da minha infância, um capítulo muito doce da minha vida. Mas não é como eu sempre disse: ‘Cara, preciso voltar ao teatro musical!’ ”As mãos novamente. “Minha principal razão para fazer isso foi porque eu gostava muito de atuar.”
Quando nos encontramos, Evans está fazendo a contagem regressiva para o lançamento de seu querido projeto pós-MCU, um novo site político chamado A Starting Point (Um ponto de partida, em português). O objetivo é ajudar a informar e unificar nosso eleitorado dividido, fornecendo uma série de vídeos de dois minutos do políticos eleitos. Organizado por tópicos, o site possui visões opostas convenientemente justapostas. A noção básica: trocar idéias de maneira pacífica é uma boa maneira de começar a resolver diferenças.
Passamos da área de estar para a cozinha para que ele possa me mostrar o local. Seu laptop está em uma longa e brilhante ilha de mármore. Do outro lado da sala, vejo a máquina de karaokê. Eu me pergunto rapidamente se ele limpou uma bagunça para se preparar para a minha chegada. Ele pode estar na lista da Forbes das 100 celebridades mais ricas, mas ainda parece um cara que faz suas próprias tarefas.
A ideia do A Starting Point começou a tomar forma há alguns anos, diz Evans, quando ele assistia a um noticiário e se perguntava o que realmente significava um acrônimo frequentemente ouvido – ele não consegue se lembrar agora, mas poderia ter sido NAFTA, o tratado comercial norte-americano, ou talvez o DACA, o programa de anistia da era Obama para pessoas levadas ilegalmente a este país quando crianças. De qualquer maneira, Evans estava perplexo. Quando ele tentou encontrar uma resposta no Google, encontrou um monte de manchetes concorrentes e artigos longos e confusos. “Você está tipo: ‘Quem vai ler doze páginas em alguma coisa?'”
Toda a experiência o fez pensar. “Era apenas uma daquelas coisas em que você vê um buraco e pensa que tenho uma ideia para preencher isso”, diz ele.
Durante o ano passado, Evans e seu parceiro de negócios, Mark Kassen – um ator e diretor que ele conheceu no set do filme independente Código de Honra (2011) – viajaram para Washington nove vezes para filmar 160 representantes eleitos, incluindo Cory Booker, Mitt Romney, Amy Klobuchar e Ted Cruz, que trouxe sua filha de onze anos e tweetou, juntamente com uma foto do trio, que “apresentá-la ao Capitão América foi incrível!”. Evans conduziu todas as entrevistas ele mesmo.
Evans recebeu críticas pelo que alguns chamaram de “ingenuidade” de seu empreendimento; é difícil compreender como uma série de discursos breves de políticos de carreira lançariam luz sobre qualquer coisa. Ele insiste que A Starting Point é simplista por design, algo na ideia dos livros “Manual de Política para Idiotas”.
Evans admite que se sentiu um pouco fora de sua zona de conforto entrando no projeto. “Estávamos tão conscientes do fato de que não estávamos no nosso território. Havia muito o que aprender, começando pelo vocabulário. Você não diz a palavra político; você diz funcionário eleito.”
Em um nível mais profundo, ele percebeu o quanto não sabia sobre política. “É um sistema muito complicado”, diz ele. “O simples fato de que eles precisam ser eleitos para permanecer no cargo. As pessoas querem dizer: ‘Eu vou para Washington, ser político, e vou viver de acordo com meus costumes e princípios, e tudo ficará bem.’ Mas uma vez que você está lá, você tem que começar a jogar esse jogo estranho de xadrez; você precisa começar a medir se o suco vale a pena ser feito. Começa com pequenos compromissos e justificativas, e antes que você perceba… ” Sua voz diminui.
Até agora, diz Evans, a maioria das entrevistas que ele fez foram com os democratas (partido de centro-esquerda americano). “Muitos republicanos não queriam sentar comigo”, diz ele.
Parte do motivo, ele supõe, é seu posicionamento nas redes sociais. Ele tem mais de treze milhões de seguidores no Twitter e uma reputação de apoiar fortemente causas liberais. Ele chamou Trump de “idiota” e se referiu ao senador Lindsay Graham como Smithers, o personagem de Os Simpsons. Com o lançamento de A Starting Point a apenas algumas semanas e um déficit de vídeos de parlamentares republicanos (partido de direita americano), Evans twittou apoio à Ministra Sonia Sotomayor, que acusou seus colegas conservadores na Suprema Corte de serem tendenciosos em relação ao governo Trump.
Apesar do lapso ocasional, Evans diz que está comprometido em deixar de lado seus pontos de vista pessoais para o bem de seu projeto. “Vou tirar o pé do acelerador [das mídias sociais] por um tempo até colocarmos tudo em funcionamento.”
Ingênuos ou não, as razões de Evans para criar o site, nesta era de discordância, são inquestionavelmente puras. “Eu só quero dizer às pessoas: ‘Você sabe o que é útil?’ É o começo da frase”, diz ele apaixonadamente. “O site não é um antídoto. Não é remédio. Não é uma cura. Não é a solução. É apenas algo que eu acho útil. Mas uma coisa que realmente estou tentando evitar é declarar: “É isso que há de errado hoje”.
A política corre na família de Evans. Seu avô materno, Andrew Capuano, era um vereador e funcionário público de carreira, chefe do Departamento da Receita de Massachusetts. Quando a mãe de Evans viu seu filho em Vingadores: Ultimato, maquiado para parecer um Steve Rogers idoso, ela começou a chorar – ele se parecia exatamente com seu falecido avô. Mike Capuano, tio de Evans, era o prefeito de Somerville. Ele cumpriu dez mandatos na Câmara dos Deputados dos EUA. (Ele perdeu a reeleição em 2018 para Ayanna Pressley, uma progressiva novata no congresso e membro do The Squad – grupo das quatro mulheres não-brancas com menos de 50 anos eleitas como Senadoras no Congresso Americano.)
Antes, na sala de estar, Evans havia me falado com carinho de sua época “se reunindo na sede da [campanha de seu tio] quando ele concorreu à reeleição. Minha mãe fez muitas coisas por isso. Só me lembro que esses foram capítulos divertidos da minha vida – apenas fazer parte de colocar panfletos nas portas e coisas assim, sabe?
Pergunto se a história de sua família teve alguma coisa a ver com sua decisão de criar o A Starting Point.
A nuvem novamente. A sobrancelha.
“Claro, claro, claro”, diz ele com desdém. Ele vê a conexão que estou tentando fazer. Ele já pode ver a história que estou tentando contar. Meu ângulo. Tantas histórias, tantos ângulos, todas elas um pouco erradas.
“Só para ficar claro”, ele diz, cutucando o ar como um político em um debate, “não é como quando eu tinha nove anos de idade e estava falando sobre política com meu tio, entende o que eu quero dizer? Não era como ‘Cara, estar nessas campanhas realmente me mudou!’ Eu iria com minha mãe para a sede dele da mesma maneira que eu ia para a loja de departamentos”.
A mãe de Evans, Lisa Capuano Evans, é encontrada no porão de uma igreja maravilhosamente restaurada que agora abriga o Concord Youth Theatre. Ela está sentada em uma cadeira executiva estofada que parece fora do lugar nos bastidores, uma acomodação para o quadril ruim. “Farei sessenta e cinco anos em cerca de três semanas. Acabou para mim”, ela diz, com os olhos brilhando do mesmo azul que os de Evans.
Depois de ter sido alojada em uma série de espaços ao longo dos anos, o grupo se mudou para cá no outono passado, graças a uma contribuição de uma quantia não revelada do mais famoso ex-aluno do CYT; Evans apareceu pessoalmente para cortar a fita. O palco do teatro de duzentos lugares fica no local aproximado onde ficava um altar. “O primeiro show que realizamos foi Godspell (em tradução literal “Feitiço de Deus”)”, diz Lisa. “Não sei, achei engraçado.”
Evans diz com carinho da mãe: “Ela é louca. Ela é uma personagem de um filme.” Meio irlandesa e meio italiana, Lisa é franca e engraçada, mas também sentimental. Ela diz que seu filho herdou seu “gene chorão”. Ela cresceu em Somerville e conheceu G. Robert Evans III na Universidade de Tufts, onde ele estudava para ser dentista, ela uma higienista dental. Eles tiveram quatro filhos – menina, menino, menino, menina. Evans é o segundo. “Eu pensei que eram as coisas mais bonitas do planeta”, diz Lisa. “Mas, na verdade, eles eram apenas patetas, na média. Todos tinham dentes tortos, cortes de cabelo bobos e roupas idiotas, e nem se importavam.”
Quando Evans estava na terceira série, sua família se mudou para Sudbury. Carly, a mais velha em três anos, começou a ter aulas no CYT. Logo depois, seus irmãos começaram a agitar para se juntar. “Nós íamos assistir aos shows de Carly”, lembra Lisa, “e os meninos diziam: ‘Espere um minuto, nós sentamos na platéia, e ela começa a cantar, a dançar, a fazer tudo isso, e depois ela ganha doces e flores e nós a levamos para jantar. Queremos fazer isso também!'”
Na época em que Evans estava no segundo ano da Lincoln-Sudbury Regional High School, ele estava profundamente envolvido em teatro. “Seu foco se tornou muito míope”, diz Lisa. “O diretor do programa de teatro fez as crianças fazerem Shakespeare, Dario Fo e Pirandello. Chris adorou. Mesmo nessa tenra idade, você poderia dizer que ele entendeu o que estava lendo. Ele retrataria um personagem de uma maneira que poderia ser um pouco diferente do que você poderia esperar. Apenas escolhas muito interessantes.”
Um dia, Evans a procurou com uma expressão séria. “Eu sei o que quero fazer para o resto da minha vida”, disse ele.
Naquele verão, ele foi trabalhar para um agente em Nova York. Seus pais cobriram o aluguel. Usando suas novas conexões, ele encontrou um agente para representá-lo.
Em janeiro de seu último ano na escola, Evans conseguiu um papel na série Opposite Sex, um programa de curta duração que foi ao ar na Fox em 2000. Ele se mudou para Los Angeles e passou a década seguinte lutando por papéis – um atleta preguiçoso em Não É Mais um Besteirol Americano, Johnny Storm em Quarteto Fantástico, o ex-namorado inimigo do skate em Scott Pilgrim Contra o Mundo. Então ele recebeu a oferta de interpretar o Capitão América, sem necessidade de audição.
No começo, ele disse que não.
“Seu maior medo era perder o anonimato”, lembra Lisa. “Ele disse: ‘Eu tenho uma carreira agora em que posso fazer um trabalho que realmente gosto. Eu posso passear com meu cachorro. Ninguém me incomoda. Ninguém quer falar comigo. Eu posso ir para onde eu quiser. E a ideia de perder isso é aterrorizante para mim.’
“Ele ligava e pedia meu conselho”, diz ela. “Eu disse a ele: ‘Olha, você quer atuar como ator pelo resto da vida? Se você fizer esse papel, terá a oportunidade. Você nunca precisará se preocupar em pagar o aluguel. Se você assumir o papel, basta decidir: isso não afetará negativamente minha vida; isso permitirá [viver a vida]. “
De volta a casa, Evans está falando sobre seu personagem em Defending Jacob. Ele diz que se inspirou muito no relacionamento próximo com o pai, que o incentivou a jogar futebol e lacrosse, além de atuar. Seus pais se divorciaram em 1999, logo após Evans se mudar para Los Angeles para filmar o piloto do Opposite Sex.
“Eu deveria ser G. Robert Evans IV”, diz ele. “Eu seria Bobby, mas minha mãe estava apaixonada pelo nome Chris. Então meu pai deu a ela. Depois que seu pai se casou novamente, ele começou uma segunda família. Evans agora tem um meio-irmão chamado G. Robert Evans IV”. “Meu pai ficou muito feliz em transmitir isso. Sempre me perguntei se teria sido um bom Bobby. Fico feliz por ser Chris. Eu ficaria honrado em ter esse apelido, estar nessa linhagem. Mas Chris também é bom”.
Evans diz que ele pode não ter “durado nessa indústria sem o pragmatismo de meu pai e sua curiosidade. Eu acho que a cabeça nivelada do meu pai é o que torna possível me levantar todos os dias.”
Quando Evans viu o corte final de Defending Jacob, ele disse: “foi um pouco desconcertante. Muitas cenas em que estou fazendo certas coisas, como, por exemplo, a rotina matinal do meu personagem na cozinha – havia a gravata, a xícara de café e eu fiquei tipo, ‘Uau, estou vendo meu pai. Eu sou velho. Acontece.’”
Com o tempo chegando ao fim, Evans sugere que deixemos Dodger lá fora. As portas francesas se abrem para um pátio de pedra rodeado por um muro baixo de pedra. Dodger passa correndo por nós e entra na grama para fazer suas coisas.
Procurando uma maneira de concluir as coisas, digo a Evans que ele meio que me lembra um jovem George Clooney. É um elogio. É como um Clooney para uma nova geração – uma estrela masculina afável, bonita, respeitada e respeitável, com uma ótima popularidade e com um desejo de fazer bons trabalhos.
A nuvem novamente. A sobrancelha. Parece que ele acabou de provar algo ruim.
“Eu realmente não penso muito nessas coisas”, diz ele. “Na verdade, acho que é uma ladeira escorregadia.”
E aqui estamos nós de novo.
Talvez não faça sentido fazer uma pergunta dessas. Talvez eu tenha ficado sem coisas importantes para perguntar. Eu assisti todos, exceto três de seus trinta e seis filmes. Você faz isso, estuda o trabalho e a vida de alguém e gosta um pouco deles, pelo menos eu gostei de Evans. E quero que ele saiba minhas intenções.
“Eu não estou aqui para ferrar com você”, eu digo.
“Ok”, ele responde. “Mas é o que parece.”
Evans pula na parede de pedra e começa a andar pelo topo, tocando casualmente como se estivesse em uma corda bamba, como as pessoas fazem.
Ele para e vira. “Eu não me coloco em uma caixa. Não tenho um plano enorme com termos de quais são meus objetivos. Eu meio que acordo e sigo o meu apetite. Agora estou em um momento da minha vida em que tenho o luxo muito, muito feliz, de perseguir o que quero fazer. E não vou corromper esse processo pensando em como as outras pessoas me veem.”
Ficamos um minuto sob o sol minguante. Dodger trotou e sentou-se na grama próxima, posando como uma estátua, olhando solenemente para o exterior. Diante de nós, se espalha a área frontal de Evans. Cercado por uma cerca de trilho rachado e desgastada, desce uma ligeira inclinação em direção a uma pista rural.
“Olhe para aquele cara”, diz ele, apontando para Dodger.
“Adoro o jeito que ele está sentado lá”, continua ele. “Ele está apenas olhando. Ele não está tentando processar. É como, a pior coisa das pessoas é a maneira como podemos ver o pôr-do-sol ou algo igualmente bonito, e por uma fração de segundo é ótimo – mas então, muito rapidamente, seu cérebro quer saber: o que isso tem a ver comigo? E imediatamente a grandeza se vai.”
Evans se vira para mim. “Eles dizem que no budismo você precisa do barco para atravessar o rio, mas depois de atravessar o rio, você não precisa do barco”, diz ele. “Esse cara aqui é um ser perfeito. Olhe para ele. Ele não está perguntando: o que isso tem a ver comigo? Ele está sentado ali, experimentando o que a vida tem a oferecer. Estou tentando ser igual.”
Ele pula da parede e vai para dentro.

 

Tradução: Amanda Gaia 

Créditos: Chris Evans Brasil 

Fonte: Esquire

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26.03.2020

Alguns anos atrás, o ator Chris Evans assistia ao debate de especialistas, quando percebeu que ele – alguém que é apaixonado e sincero sobre política, especialmente nas redes sociais – não sabia muito sobre o assunto em discussão. “Quando fui tentar me educar um pouco sobre”, diz ele, “pensei que era incrivelmente difícil encontrar uma maneira simples de entender”. O que ele percebeu que queria era algo direto e não necessariamente jornalístico: um lugar para ouvir diretamente de funcionários eleitos o que eles acreditam sobre assuntos diferentes – não mediados por artigos de reflexão ou filtrados por cabeças falantes de notícias a cabo. Ele chamou um amigo, ator e diretor Mark Kassen, para desenvolvê-lo com ele; eles trouxeram Joe Kiani, um empresário de tecnologia que estava bem conectado em Washington. Juntos, os três desenvolveram sua visão de uma plataforma onde os políticos pudessem falar, em breves vídeos, sobre onde eles estavam em questões como imigração e comércio. “Quando você tem uma democracia”, diz Kiani, “você precisa de uma cidadania engajada e conhecedora”. Eles chamaram seu site de A Starting Point (Ponto de Partida, em português).

Se fosse assim tão simples. Evans é o primeiro a admitir que foi uma batalha difícil conquistar a confiança dos políticos em Washington, que o conheciam melhor como Capitão América, não como alguém tentando mudar a maneira como os americanos formaram opiniões sobre políticas. Consequentemente, se os usuários, que se tornaram cada vez mais isolados em suas próprias bolhas, vão querer ouvir os políticos polarizados, é outra história. Uma inauguração planejada no evento de entretenimento South by Southwest foi interrompida após o cancelamento da conferência por causa da pandemia do COVID-19; agora, eles estão se reprogramando uma data de lançamento, à medida que o mundo se move para uma era sem precedentes. Porém, com mais americanos ficando em casa e procurando informações claras sobre a posição de seus políticos eleitos em questões como a reforma do sistema de saúde que têm consequências imediatas e urgentes, pode haver mais necessidade do que nunca de um site como esse – embora Evans resista à sugestão de que o crise atual pode ser vantajosa para seu projeto. “Vou dizer que, quando coisas assim acontecem, as pessoas anseiam apenas por um governo funcional e eficaz”, diz Evans. “Em tempos de crise, almejamos eficácia. Então, uma vez que a crise passa, procuramos a responsabilidade.”

Quando o A Starting Point for lançado ainda este ano, os usuários descobrirão que é um inventário bem organizado de informações que desembaraçam problemas misteriosos em linguagem simples. A utilidade de um projeto como esse é clara, especialmente em meio a uma crise de saúde pública com uma eleição crítica iminente. Evans espera que ajude a informar: “Fui culpado de participar de debates políticos em que não tinha todas as informações”, diz ele. E, depois de enfrentar tantos desafios – como a implementação de padrões exaustivos de verificação de fatos, trabalhando com políticos que eram reticentes em responder perguntas sensíveis e preocupações de que o site se tornasse um meio de propaganda – ele agora está otimista sobre suas possíveis perspectivas. “Em três meses, pude olhar para trás e me dar conta de que tinha incríveis pontos cegos morais e culturais”, diz ele. “Mas agora parece um passo bastante decente na direção certa. Tudo o que podemos fazer é tentar aumentar o conhecimento e a compreensão de como o governo funciona, e quem são as pessoas estão no poder e quais políticas eles estão escrevendo.” Para Evans, é um pivô adequado: agora, os americanos podem não precisar de um super-herói – eles só precisam de respostas.

Por Sam Lansky

Tradução: Amanda Gaia

Créditos: Chris Evans Brasil 

Fonte

 

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17.01.2020

O novo projeto do ator, A Starting Point (Um Ponto de Partida), visa dar a todos os estadunidenses um resumo do que diabos está acontecendo na política. O que é mais difícil do que socar nazistas nas telonas.

É uma tarde lânguida de Outubro em uma Los Angeles ensolarada e clara.
Chris Evans, de volta em casa depois de uma cansativa agenda de produção, relaxava no sofá com os pés apoiados na mesa de café. Durante o último ano e meio, o ator experimentou uma identidade após a outra: o espião israelense de cabelos desgrenhados, o playboy barbeado e, em sua estréia na Broadway, o policial de Manhattan com um bigode do Burt Reynolds. Agora, porém, ele se parece com Chris Evans – barba aparada, bíceps monstruosos, aparência angelical. Então é uma surpresa quando ele traz a tona os pesadelos. “Eu durmo, tipo, uma hora por noite”, diz ele. “Estou em pânico.”
O pânico começou, como todo pânico costuma acontecer atualmente, em Washington. No início de fevereiro passado, Evans visitou a capital para apresentar aos parlamentares um novo projeto de participação cívica. Ele chegou poucas horas antes de Donald Trump proferir seu segundo discurso sobre o Estado da União, no qual convocava o Congresso a “superar antigas divisões” e “rejeitar a política de vingança, resistência e retribuição”. (Anteriormente, em um almoço privado, Trump se referiu a Chuck Schumer, o principal democrata do Senado, como um “filho da puta desagradável”.) Evans não é fã do presidente, a quem chamou publicamente de “idiota”, “burro” e “almôndega”. “Mas superar divisões? Pôr fim ao suor frio da política estadunidense?” Esses eram objetivos que ele poderia alcançar.
A sacada de Evans foi essa: ele construiria uma plataforma on-line organizada em seções organizadas – imigração, assistência médica, educação, economia – cada uma com uma série de perguntas do tipo que a maioria dos estadunidenses não conseguem responder de forma sucinta. O que exatamente é uma tarifa? Qual a diferença entre o Medicare e Medicaid? Evans convidaria políticos a responder às perguntas em vídeos de um minuto. Ele próprio conduzia as entrevistas, mas sempre por trás das câmeras. O site seria um lugar para ouvir os dois lados de uma questão, para obter o resumo do que diabos estava acontecendo na política americana. Ele o chamou de A Starting Point (Um Ponto de Partida) – um nome que às vezes continha com entusiasmo e às vezes parecia um pedido de desculpas.
Evans pode não ter muito jeito com a capital política, mas ele possui uma reputação, talvez não merecida, de patriotismo. Desde 2011, ele apareceu em nada menos que 10 filmes da Marvel como Capitão América, o super-herói matador de nazistas e defensor da pátria envolto em vermelho, branco e azul bipartidário. É difícil imaginar uma época melhor para lucrar com o simbolismo do personagem. A animosidade partidária está em seu auge; uma pesquisa recente do Public Religion Research Institute e do The Atlantic descobriu que 35% dos republicanos e 45% dos democratas seriam contrários ao casamento de seus filhos com alguém do outro partido. (Em 1960, apenas 4% dos entrevistados se sentiam assim.) Ao mesmo tempo, há uma verdadeira crise de fé nos líderes do país. Segundo o Pew Research Center, 81% dos americanos acreditam que os membros do Congresso se comportam de maneira antiética pelo menos uma parte do tempo. Segundo Pew, isso os torna ainda menos confiáveis do que jornalistas e CEOs de tecnologia.
Se Evans acertasse sua sacada, ele acreditava que este não seria um site para crianças pequenas. Ele ajudaria a “criar cidadãos informados, responsáveis e empáticos”. Ele “reduziria o partidarismo e promoveria um discurso respeitoso”. No mínimo, ele “envolveria mais pessoas” na política. E se o site desse errado? Se Evans se tornasse uma piada nacional? Bem, foi aí que os pesadelos começaram.
Foi preciso um soro especial e uma grelha na câmara Vita-Ray para transformar Steve Rogers, um garoto fraco do Brooklyn, no Capitão América. Para Chris Evans, salvador da democracia americana, a história de origem é um pouco menos maravilhosa.
Um dia, alguns anos atrás, na época em que ele estava filmando Vingadores: Guerra Infinita, Evans estava assistindo o noticiário. A discussão na TV era em torno de uma sigla desconhecida – pode ter sido o NAFTA, mas ele acha que era o DACA, ou Ação Diferida para Chegadas de Infância, uma política de imigração da época de Obama que concedia anistia a pessoas que haviam sido trazidas para os Estados Unidos ilegalmente quando ainda eram crianças. O governo Trump havia acabado de anunciar planos de eliminar a DACA, deixando mais de meio milhão de jovens imigrantes em apuros. (A Suprema Corte provavelmente decidirá este ano se o término do programa foi legal.)
Do outro lado da televisão, Evans apertou os olhos. Espere um minuto, ele pensou. O que significava mesmo essa sigla? E foi uma coisa boa ou ruim? “Era algo que eu não entendia”, diz ele.
Evans se considera um político. Agora com 38 anos, ele cresceu em uma família de espírito cívico, do tipo que gosta de gritar sobre as notícias durante o jantar. Seu tio Michael Capuano cumpriu 10 mandatos no Congresso como democrata de Massachusetts, começando na mesma época em que Evans se formou no colegial e se mudou para Nova York para atuar. Durante a eleição presidencial de 2016, Evans fez campanha por Hillary Clinton. Em 2017, ele se tornou um crítico franco de Trump – mesmo depois de ter sido aconselhado a compactá-lo, por risco de alienar os espectadores. Evans poderia ser motorista de caminhão, diz Capuano, e ainda estaria envolvido na política.
Mas assistindo TV naquele dia, Evans estava totalmente perdido. Ele pesquisou a sigla no Google e tropeçou em todas as manchetes em conflito. Então ele tentou a Wikipedia, mas, bem, a entrada tinha milhares de palavras. “É algo interminável, e você pensa, quem vai ler 12 páginas em alguma coisa?”, diz Evans. “Eu só queria um entendimento básico, uma história básica e uma compreensão básica do que as duas partes pensam.” Ele decidiu criar o recurso que queria para si mesmo.
Evans levou a ideia a seu amigo íntimo Mark Kassen, ator e diretor que ele conheceu trabalhando no filme indie Código de Honra, de 2011. Kassen contratou e recrutou um terceiro parceiro, Joe Kiani, fundador e CEO de uma empresa de tecnologia médica chamada Masimo. Os três se encontraram para fazer rolinhos de lagosta em Boston. Eles decidiram que o país precisava de um tipo de Schoolhouse Rock (espécie de TV Cultura estadunidense) para adultos – uma maneira simples e memorável de aprender os meandros da vida cívica. Evans sugeriu trabalhar diretamente com os políticos. Kiani, que havia feito alguns amigos no Capitólio ao longo dos anos, pensou em fazer isso. Cada parceiro concordou em colocar dinheiro para tirar a coisa do chão. (Eles não disseram quanto.) Eles passaram algum tempo pesquisando em canais semelhantes e descobrindo onde se encaixavam, diz Kassen.
Eles começaram estabelecendo algumas regras. Primeiro, A Starting Point daria aos políticos liberdade para responder a perguntas como quisessem – sem edição, moderação ou interjeição. Segundo, eles contratariam verificadores de fatos para garantir que não promovessem informações erradas. Terceiro, eles projetariam um site que privilegiasse a diversidade de opiniões, onde você poderia assistir a uma dúzia de pessoas diferentes respondendo à mesma pergunta de maneiras diferentes. Aqui, porém, absorver as informações seria mais como assistir ao YouTube do que ler superficialmente a Wikipedia – mais como entretenimento do que dever de casa.
O trio juntou uma lista de perguntas para levar ao Capitólio, começando pelas que mais os confundiam. (O colégio eleitoral ainda é necessário?) Eles conversaram com admiração sobre a maneira como os moderadores do debate presidencial conseguem fazer com que seu idioma pareça neutro. (As perguntas devem se referir a uma “crise climática” ou “situação climática”, “imigrantes ilegais” ou “imigrantes sem documentos”?). Evans então gravou um vídeo em seu sofá em Los Angeles. “Olá, sou Chris Evans”, ele começou. “Se você estiver assistindo isso, espero que considere contribuir para o meu novo projeto de compromisso cívico chamado A Starting Point”. Ele enviou o arquivo por e-mail a todos os senadores e representantes no Congresso.
Apenas alguns responderam.
Em retrospectiva, Evans percebe que o vídeo “parecia muito simples” e provavelmente parou na caixa de spam ou foi excluído conscientemente por funcionários do Congresso. “A maioria das pessoas, de ambos os lados do corredor, o dispensou”, diz Evans. Muitos “pensaram que era uma piada”. No entanto, existem poucas portas na vida estadunidense que um maxilar quadrado não possam abrir, principalmente quando ele pertence a um homem com muitos milhões de dólares e quase tantos fãs emocionados no Twitter. Logo, um punhado de políticos concordou em se reunir com o grupo.
Na manhã de sua primeira visita a Capitol Hill, vestindo um terno de vidraça cinza liso e uma gravata de bolinhas preta e penteando o cabelo perfeito da testa perfeita, Evans sentiu uma onda de dúvida. “Esta não é minha pista”, ele se lembra de ter pensado enquanto caminhava pelo labirinto do prédio do Russell Senate Office. Aqui, as pessoas estavam fazendo mudanças reais, afetando a vida de milhões de americanos. “E merda”, Evans disse para si mesmo, “eu nem fui para a faculdade”.
A primeira parada do trio foi no escritório de Chris Coons, democrata de Delaware. “Qual é o senador?” Evans perguntou.
Coons, nunca tendo assistido nenhum dos filmes dos Vingadores, também não sabia quem era Evans. Mas, em pouco tempo, ele diz, foi conquistado pelo charme do ator e pelo sotaque “muito leve, mas ainda perceptível” de Boston. Porém, o que mais atraiu Coons – o que o levaria a distribuir cartões de bolso no Senado para recrutar outros, especialmente republicanos, para participar do projeto – foi o quão renovador era ser perguntado sobre coisas simples: Por que devemos apoiar as Nações Unidas? Por que a ajuda externa é importante? Coons viu um valor real ao tentar explicar essas coisas, de maneira simples e clara, aos seus constituintes.
“Olha, eu não sou ingênuo”, diz Coons. Ele é o primeiro a admitir que vídeos de um minuto não corrigem o que há de errado na política americana. “Mas é importante que haja tentativas de educação e divulgação cívica”, acrescenta. “E, você sabe, o personagem fictício dele (Capitão América) lutou por nossa nação em um momento de grande dificuldade.”
Evans endurece um pouco quando as pessoas mencionam o Capitão América. A comparação de super-heróis é, reconhecidamente, um pouco óbvia. Mas, repetidamente, no Capitólio, o truque se mostrou útil: às vezes é melhor ser o Capitão América do que um ator da elite liberal de Hollywood que defende Roe v. Wade (decisão judicial que permitiu o aborto nos Estados Unidos) e deseja proibir armas. Quando Evans conheceu Jim Risch, o senador republicano de Idaho brincou sobre atualizá-lo sobre a OTAN, “já que ele perdeu os 70 anos após a Segunda Guerra Mundial”. Quando conheceu o representante Dan Crenshaw, um republicano do Texas e ex-SEAL (força tarefa especial) da Marinha que perdeu o olho direito no Afeganistão, Crenshaw levantou o tapa-olho para revelar uma prótese de vidro pintada para se parecer com o escudo do Capitão América.
Eventualmente, Evans se soltou – pelo menos ele perdeu o nervosismo. Desde a primeira rodada de visitas, ele e Kassen retornam a Washington a cada seis semanas, coletando mais de 1.000 vídeos de mais de 100 membros do Congresso, juntamente com cerca da metade dos candidatos democratas em 2020. Evans conduziu todas as entrevistas ele mesmo. Enquanto isso, Kassen gerenciava a aquisição de uma startup de compressão de vídeo em Montreal. Cerca de uma dúzia de engenheiros da empresa está construindo um sistema de gerenciamento de conteúdo personalizado para o A Starting Point, que deve entrar em operação em fevereiro. Eles também estão realizando testes de banda larga – no caso, como Kassen se preocupa, de “todos na platéia de Chris assinem no primeiro dia”.
“Temos que fazer isso agora”, diz Evans. “Está lá fora. Temos que terminar isso. Merda.”
De volta à Los Angeles, Evans acessa o site em seu iPhone. Ele hesita por um momento e cobre a tela com a mão. Ainda é uma demonstração, ele explica, no mesmo tom tímido que ele usa para me dizer que o banheiro de hóspedes está sem papel higiênico.
Na página inicial, há um vídeo de Evans explicando como usar o site e uma aba de “tópicos populares” (energia, escolas charter, Hong Kong). Você pode inserir seu endereço para acessar uma lista de seus representantes e encontrar os vídeos deles; você também pode contatá-los diretamente através do site. O restante é organizado por tópicos e perguntas, com uma matriz de vídeos de um minuto para cada um – democratas na coluna da esquerda, republicanos à direita.
Ainda no início do desenvolvimento do site, Evans e Kassen brigaram pela verificação de fatos. Kassen, argumentando contra, estava preocupado com a ótica: quem eram eles para arbitrar a verdade? Evans insistiu que o A Starting Point só pareceria objetivo se os visitantes soubessem que as respostas foram examinadas de alguma forma. Por fim, a opinião de Evans prevaleceu e eles concordaram em contratar um verificador de fatos de terceiros. Eles ainda precisam publicar seus mais de mil vídeos, então por enquanto estou vendo os primeiros rascunhos. Se eles contiverem falsidades, diz Evans, eles não aparecerão no site.
Kassen me mostrou uma amostra de algumas dessas matérias cruas. Em “O que é DACA?”, encontrei dezenas de vídeos, oferecendo dezenas de diferentes pontos de partida.
Um representante, um republicano cujo distrito fica perto da fronteira com o México, descreve os beneficiários do programa como “1,2 milhão de homens e mulheres que só conhecem os Estados Unidos como sua casa”. Eles estudam, ele explica; eles servem nas forças armadas; todos eles passaram nas verificações de antecedentes.
Outro representante republicano diz: “Então, o DACA é resultado de um sistema de imigração realmente ruim. Estamos vendo um número recorde de famílias atravessando a fronteira porque uma criança é igual a um sinal de presença nos EUA. Tudo certo? Todas essas pessoas vieram, não temos como processá-las, elas estão reivindicando asilo. Acabei de ouvir do Secretário de Segurança Nacional nesta semana, cerca de nove em cada 10 não têm reivindicações válidas de asilo. Isso significa que eles não são exilados políticos – não há perseguição política. OK?”
Essas duas respostas (de políticos do mesmo espectro, no mínimo) ilustram alguns dos dilemas que Evans, Kassen e seus investigadores provavelmente encontrarão. O primeiro representante, por exemplo, diz que existem 1,2 milhão de beneficiários do DACA, quando na verdade apenas 660.000 imigrantes estão atualmente matriculados no programa. O número mais alto é baseado em uma estimativa daqueles que poderiam ser elegíveis, publicada pelo Migration Policy Institute, um laboratório social de Washington. A estatística “nove em 10”, enquanto isso, é uma interpretação vaga dos dados de 2018, que mostra que apenas 16% dos imigrantes que apresentaram uma reivindicação de “medo aceitável” receberam asilo. Mas isso não significa, como o representante implica, que as outras reivindicações não eram “válidas” – apenas que não foram bem-sucedidas. Quase metade de todos os pedidos de asilo dessa época foram julgados improcedentes por razões não divulgadas. Estes são exemplos bastante arrebatadores, mas mesmo as perguntas básicas e de definição estão encharcadas de opinião. O que é o Citizens United? “Uma decisão horrível”, diz um senador democrata em sua resposta em vídeo.
Evans não quer gastar tempo arbitrando políticos. Para ele, A Starting Point deveria agir mais como um banco de dados do que como uma plataforma – retórica que rima com a do Facebook e Twitter, que na maior parte evitou a responsabilidade por seu conteúdo. Ele está apenas hospedando os vídeos, diz ele; cabe aos políticos decidir como responderão às perguntas. Não há seção de comentários nem lista de vídeos recomendados gerada por algoritmos. “Você precisa decidir o que assistir a seguir”, diz Kassen.
Uma das suposições intrínseca ao projeto de Evans – e é uma suposição muito forte – é que a força de sua fama será suficiente para atrair pessoas que, em outros cenários, teriam zero interesse em assistir a uma roda de vídeos de seus políticos eleitos. Este é, segundo todos os relatos, a maioria das pessoas: apenas um terço dos americanos consegue nomear seus representantes no Congresso e aqueles que conseguem, não assistem ao C-Span (TV Congresso). “As celebridades trazem uma capacidade extraordinária de chamar a atenção”, diz Lauren Wright, pesquisadora política de Princeton e autora de Star Power: Democracia Americana na Era do Candidato-Celebridade. Mas Evans, ela diz, “não está seguindo o caminho que muitas celebridades têm, que é: a solução para a política estadunidense sou eu”. Seria uma coisa se Evans estivesse guiando você pelo funcionamento interno do Congresso como um musculoso Virgílio (guia de Dante em A Divina Comédia). Mas por que alguém assistiria a um senador explicar secamente o que é o NAFTA quando podia assistir, digamos, a um vídeo do YouTube de Chris Evans no Jimmy Kimmel?
Sem seu astro principal na equação, A Starting Point começa a parecer desconfortavelmente semelhante às muitas outras plataformas que tentaram combater o partidarismo online. Um site chamado AllSides rotula as fontes de notícias como de esquerda, de centro ou de direita e incentiva os leitores a criar uma dieta de mídia equilibrada com um pouco de cada. Um plug-in de navegador chamado Read Across the Aisle (“Um Fitbit para sua bolha”) mede a quantidade de tempo que você gasta em sites de esquerda, direita ou centrista. O Flip Side se autodenomina um “balcão único para resumos concisos e inteligentes da análise política da mídia conservadora e liberal”.

A idéia implícita – de que haveria um renascimento do envolvimento cívico se pudéssemos arrancar o controle da economia da informação das mãos de ideólogos egoístas e entregar as notícias aos cidadãos de maneira imparcial e sem cortes – é antiga. Em 1993, quando a internet moderna era apenas um brilho nos olhos de Al Gore, Michael Crichton escreveu nas páginas desta revista que estava cansado do “jornalismo polarizado de junk food” propagado pelos meios de comunicação tradicionais. (Isso aconteceu três anos antes da criação da Fox News e da MSNBC; ele estava falando sobre o New York Times.) O que a sociedade precisava, ele argumentou, era algo mais como o C-Span, algo que encorajava as pessoas a tirar suas próprias conclusões.
Mas isso funciona? Não de acordo com Wright. “Temos muitos anos de pesquisa sobre essas questões, e o consenso entre os estudiosos é que a proliferação de opções de mídia – incluindo sites como o de Evans – não aumentaram o conhecimento ou a participação política”, diz ela. “O problema não é a falta de informação. É a falta de interesse”. Jonathan Albright, diretor da Iniciativa Forense Digital no Tow Center for Digital Journalism da Columbia, concorda. “Todas essas iniciativas de verificação de fatos, todo esse trabalho que tenta esclarecer questões ou reduzir o ruído – as pessoas não têm tempo”, diz ele. “Algumas pessoas se preocupam com política, mas essas não são as pessoas que você precisa alcançar.”
Naturalmente, esse tipo de conversa deixa Evans um pouco nervoso. Mas ele se refugia naquilo que vê como os principais pontos fortes do conceito. Por um lado, ele argumenta, vídeos em tamanho de lanche são mais acessíveis que texto. Além disso, esses outros sites contam com um tradutor para interpretar os problemas, enquanto A Starting Point vai direto para a fonte. Não é para os que gostam de política. É para os americanos médios, centristas, extremistas, eleitores indecisos – todo mundo! – que querem ouvir sobre a política diretamente da boca do cavalo. (Não importa que a maioria das pessoas tenha cavalos em maior consideração.)
Evans tem todo tipo de idéias sobre como manter as pessoas voltando. Ele pode adicionar uma seção no site em que os representantes podem enviar vídeos semanais para seus eleitores, ou um local em que formuladores de políticas de diferentes partidos possam discutir compromissos bipartidários. Ele fala sobre essas idéias com um entusiasmo tão puro e tão crível que você quase esquece que ele é um ator. A questão toda, diz ele, é dar aos estadunidenses uma chance de discutir nos tipos de conversas que estão acontecendo no Capitólio. Esse é um programa que Evans está apostando que as pessoas realmente querem ver.
A pior coisa que pode acontecer não é que ninguém assista aos vídeos. Isso seria péssimo, mas Evans poderia lidar com isso. O que mais o irrita é pensar no que ele pode ter deixado de considerar. E se o site acabar promovendo uma agenda bizarra que ele nunca pretendeu? E se as pessoas usarem os vídeos para algum tipo de finalidade distorcida? “Um erro de cálculo”, diz ele, “e você pode não voltar aos trilhos.”
Evans sabe que sua idéia de salvar a democracia pode ser um pouco Pollyanizada, e se ela fracassar, será sua reputação em jogo. Mas ele realmente, realmente acredita nisso. OK, talvez isso não salve os Estados Unidos, mas pode reunir algumas das coisas que foram quebradas. Um novo começo. Um ponto de partida.
“Parece-me que todo mundo sai ganhando aqui. Não vejo como isso se torna um problema”, diz ele, antes que um olhar de pânico cruze seu rosto, a ansiedade se instalando novamente.

Tradução: Amanda Gaia

Créditos: Chris Evans Brasil

Fonte : Wired / Arielle Pardes