À partir de agora, todas as notícias relacionadas ao Chris Evans, sejam elas fotos ou entrevistas, por exemplo, serão postadas em nossas redes sociais. O site será para fins de divulgação de fotos e das redes sociais do CEBR. Acompanhe a seguir!

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postado por Sara Teles e categorizado como Defending Jacob, Entrevistas
23.07.2020

A angustiante série limitada da Apple TV+ adaptada do romance homônimo de William Landlay é sobre um adolescente de Boston acusado de matar um colega de classe, e como essa acusação acaba com sua família. Os pais do menino – Andy Barber (Chris Evans) e sua esposa Laurie (Michelle Dockery) – estão em desacordo, lutando com a possibilidade de que seu filho é culpado e eles podem ser os responsáveis. Eles se perguntam o que fazer a seguir.

Os papéis pediam por performances extraordinariamente marcantes de Evans (que recentemente aposentou seu escudo de Capitão América) e Dockery (que descartou sua tiara de Lady Mary). Eles tiveram que transmitir choque e desespero e a dor de assombrar memórias com pouco mais do que expressões sutis. Os atores (Evans também é um produtor executivo da série) explicaram para Jennifer Vineyard do emmy como uma relação de trabalho próxima ajudou eles a interpretar pais sob intensa pressão. Nota: pequenos spoilers à frente.

Chris, você se juntou a este projeto muito cedo. O que te atraiu tão fortemente, e por que você decidiu se tornar um produtor?

CE: Talvez eu não devesse falar isso tão francamente, mas algumas vezes o próximo passo mais natural é dizer, “Sim… e coloque meu nome como produtor”. É só uma garantia, que se o projeto começar a espiralizar, você tem mais a dizer. Esta série foi um salto de fé. Eu tive uma série de reuniões com o [criador-showrunner] Mark Bomback e o [produtor executivo-diretor] Morten Tyldum, e eles lançaram aonde o personagem iria, como a história evoluiria. Não que eu não amasse o piloto, mas é assustador se comprometer quando você está um pouco cego. Então, às vezes as pessoas [envolvidas] se tornam o atrativo.

MD: Eu amo Mark e Morten. Eu pensei, “Se esses caras estão no leme, então estamos em uma coisa muito boa. E eu adoro trabalhar nos Estados Unidos.

O atrativo de fazer séries nos EUA é que temos melhor artesanato do que no Reino Unido?

MD: Você tem sorte se conseguir um biscoito às quatro horas em uma produção britânica! As pessoas são mais alimentadas [nos EUA]. E as equipes britânicas ficam com tanta fome quanto as equipes americanas!

Você não fez um teste de química com Michelle para ver se vocês se encaixariam como um casal…

CE: Você meio que diz: “Vamos manter nossos dedos cruzados para que ela seja um pessoa adorável, mas se ela for um pesadelo, o talento dela sozinho valeria a pena.”

Como ela poderia ser um pesadelo? Muitas exigências de biscoitos?

CE: Ela poderia ser uma atriz ruim! Há algumas pessoas que conseguiram unir carreiras — eu posso ser um deles! — e continuar me virando. Mas, felizmente, Michelle acabou sendo uma joia, e ela elevou o papel de maneiras que não poderíamos ter imaginado.

Uma questão crucial que esses pais enfrentam é sua própria cumplicidade. Se vocês estivessem na mesma posição, vocês jogariam fora a faca ou virariam ela?

CE: Oh, eu jogo fora a faca! Eu posso ter abordagens corretas no meu sofá, mas eu jogo a faca, eu enterro o corpo, eu faço o que tiver que fazer para manter meus filhos seguros. Provavelmente não é moral, mas esse sou eu.

MD: Eu faria o mesmo. Às vezes, interpretando Laurie, eu lutava com isso. Eu me perguntava: “O que minha mãe faria?”. Sempre que algo dá errado, minha mãe diz: “A culpa é minha”. Acho que é disso que se trata a Laurie. Ela se sente responsável: “O que eu fiz?”. Laurie é assombrada por esses pensamentos. E a parte mais triste é que Laurie não pode viver com isso. Mas havia vezes quando eu ficava tipo: “Bem, eu não faria isso.” Acho que teria um pouco mais de autocontrole. Eu amo que o final é ambíguo e bastante diferente do fim do livro. Eu gosto que ele é deixado aberto, de certa forma.

CE: Acho que o desenrolar de Laurie não foi atribuído apenas à natureza sombria de Jacob, mas para a lenta percepção de que seus relacionamentos eram baseados em mentiras. Era menos sobre matar a semente ruim, e mais sobre não se tornar parte dessas mentiras.

Cada um de vocês teve que tomar uma decisão sobre seu personagem. Michelle, para você pode ter sido se Laurie realmente não se lembrou de uma grande decisão que ela faz perto do final. Chris, para você poderia ter sido se Andy estava em negação porque, no fundo, ele acreditava que Jacob era culpado. Para Jaeden Martell (que interpreta Jacob), poderia ter sido se Jacob na verdade, era culpado. Como vocês tomaram essas decisões?

MD: Jaeden ainda não nos disse se ele acha que foi o Jacob! Eu certamente tive que decidir pela Laurie, e o que é interessante no final é que Laurie encontra Andy no meio. Na última cena, Laurie fica tipo, “Eu vou fingir que isso não aconteceu. Vamos continuar”. Se ela quiser a família de volta, eles têm que esquecer isso, sabe?

CE: Eu diria que Andy é um daqueles tipos que não tem intenção de se auto examinar. Como a maioria dos jovens que experimentam trauma, eles desenvolvem mecanismos de enfrentamento. Eles não sorriem muito. Eles não riem muito. Eles enterram emoções. E funciona, por um tempo. Andy se apoiou nessas táticas de sobrevivência por tanto tempo que ele fica tipo, “Eu não vou continuar nesse assunto. Eu vou enterrá-lo e lidar com ele”. A escuridão é demais. Não é uma forma de preguiça. É que ele é incapaz disso. Isso o sobrecarregaria. Eu não acho que Andy permite a si mesmo pensar: “Jacob fez isso?”. Para mim, a circunstância de ter um filho acusado de assassinato é a jusante de navegar como Andy lida com a culpa, porque se não fosse esse trauma, seria outra coisa. Não importa o que você tente colocar no fundo do seu armário, vai sair.

Esses personagens enfrentam muito escrutínio público. Eles não estão acostumados com isso, mas vocês estão. Isso te ajudou a lidar com a situação deles?

CE: Sabe, eu ia dizer isso, mas me senti um pouco envolvido. [Risos] Eu só não queria enquadrá-lo como: “Cara, ser famoso é difícil!”. Tenho certeza que Michelle e eu conhecemos pessoas que passaram por situações em que coisas que deveriam ser pessoais se tornaram públicas, e você não pode deixar de simpatizar.

MD: O que os Barbers passam, é claro que eles não podem fazer as coisas que normalmente fariam. Aquilo os ostraciza completamente na sua comunidade e os tranca em sua própria bolha.

Chris, você atuou como embaixador local da produção na área de Boston e até hospedou todos em sua casa. Como foi abrir sua casa dessa forma?

CE: Para desânimo da companhia de seguros, eu morava bem na esquina, então era fácil reunir todo mundo e compartilhar algumas bebidas depois de gravar. Parecia um trabalho de nove a cinco para mim. Eu me senti como uma pessoa normal por um tempo! Eu pude dormir na minha cama, ver minha família nos finais de semana e enfrentar o trânsito. Foi ótimo.

MD: É tão importante reunir todo mundo, sair e fazer algo fora do trabalho. Fomos jogar boliche em certo ponto. [Risos] Como se chamava, Chris?

CE: Era o Bowladrome. Era muito perto de onde estávamos gravando e virtualmente para baixo da rua de onde eu moro. Tem uma vibração local, nada muito extravagante.

Bem, você tem uma cena de boliche, de modo que poderia ter sido considerado uma pesquisa. Quem é o melhor jogador?

MD: Chris!

CE: Eu sou certamente o jogador mais competitivo. Mesmo que eu tente abordá-lo com uma energia casual, dentro de cinco minutos, eu estou focado e lutando para ganhar.

MD: Acho que me dou melhor no karaokê. Fizemos muito karaokê.

Qual é a sua música?

MD: [Risos] “A Whole New World” de Aladdin.
CE: Sim! Michelle arrasou!
MD: Chris, a propósito, tem uma voz brilhante. É uma coisa tão ótima ir para o trabalho e ficar tipo, “Oh meu Deus, foi incrível quando você cantou aquela música”.

CE: Eu nem sempre tenho coragem de pegar no microfone – eu geralmente tenho que beber quatro ou cinco [bebidas], um pouco de coragem líquida. E eu só reuno as tropas e chamo todo mundo pra participar.

Esse tipo de conexão claramente ajudou. Como seus relacionamentos de trabalho ajudaram vocês a descobrir seus personagens no set?

CE: Você poderia dizer: “Parecia bom esta manhã, mas por alguma razão, não agora. Talvez devêssemos levar cinco minutos para nos amontoarmos e tentar melhorar.” Felizmente isso não acontecia com muita frequência, mas quando faziam isso, era extremamente eficaz. Muitos desses momentos realmente brilham na tela, especificamente onde eu me lembro, “Aquela cena foi um pouco pegajosa. Agora é uma das minhas favoritos.”

MD: As cenas que exigiam um pouco mais de delicadeza foram as na casa. Chris, você se lembra quando estávamos jantando [no episódio quatro], e Laurie tem um ataque de raiva com o Jacob? Meus instintos eram para ir longe demais, e Morten era muito bom em afinar. É aí que grande parte da química aparece, porque tivemos esse luxo de fazer como uma peça.

CE: Talvez nem todo ator se sinta assim – talvez eu esteja obcecado demais com autopreservação – mas às vezes um ator vai tentar a interpretação segura. Correr riscos consome tempo. Então você precisa de um diretor que vai dizer: “Esta é a sua hora de jogar.” Há muito tempo atrás, um diretor me disse: “É como um tribunal. Qualquer tomada que você dá pode ser usado contra você”. [Risos] Você precisa sentir seguro. Se todos nós temos o mesmo objetivo, então você tem a liberdade de tomar alguns balanços realmente grandes e arriscar perder a bola.

Quais foram alguns dos maiores balanços que você tomou?

CE: As cenas com J.K. [Simmons como Billy, o pai do Andy]. Andy é um homem relativamente taciturno. Quando ele viu seu pai, eu tinha todas essas opiniões de como Andy iria reagir. Infelizmente, muito disso significava se fechar, o que eu pensei que Andy faria como uma postura defensiva. O problema é que isso realmente não deixa o público entrar. Seu instinto pode ser para se fechar, porque parece verdade, mas verdade pode nem sempre ser interessante.

Que cenas você sentiu que descobriu no momento?

MD: A cena na cozinha [no final do episódio sete]. Indo para ela, eu não tinha expectativas. Eu estava tipo: “Ooh, nós temos aquela grande cena chegando!”. Foi incrível como aconteceu. Estávamos apenas ricocheteando um no outro, porque Laurie chegou ao ponto em que ela está convencida de que Jacob fez. Parecia tão real ao fazer, não sei por quê.

CE: Eu sei por quê. É por sua causa! Havia tantos atalhos maravilhosos onde, se você começar a sair do momento, se você recorrer à atuação de piloto automático, você pode simplesmente se apoiar no artista em frente a você. Jaeden é tão bom interpretando aquele adolescente intrigado e confuso. Michelle é tão boa nisso de cambalear à beira de um colapso. J.K. só exala intimidação. E eu posso apenas me concentrar completamente neles e eles vão me trazer de volta.

Chris, você decidiu se queria ter barba?

CE: Eu não quero dizer… Bom, eu vou dizer. Faz muito tempo que alguém me disse que eu era muito jovem para desempenhar um papel! E havia uma chance de que poderia ser um exagero, eu ser pai de um garoto de 14 anos. Se eu estivesse barbeado, poderia ter sido um pouco mais difícil de acreditar, então pensamos que a barba poderia me envelhecer um pouco. Mas sempre terei barba se puder. E quanto a você Michelle? Por que você raspou o bigode?

MD: [Risos] Bem, eu amo…

CE: … você ama ter o seu bigode… Ele te envelhece um pouco demais, na verdade. Seria muito.

MD: [Ri ainda mais]

 

Tradução: João 

Créditos: Chris Evans Brasil 

Fonte: Emmy Magazine

postado por Sara Teles e categorizado como A Starting Point, Entrevistas
16.07.2020

O ator lançou seu site engajado bipartidário “A Starting Point” na terça-feira.

Chris Evans lançou seu próprio site – e provavelmente não é o que os fãs esperariam da estrela dos Vingadores.

O ator, 39 anos, fundou o “A Starting Point” com os parceiros de negócios Mark Kassen e Joe Kiani, em um esforço para apresentar um discurso não partidário, baseado em fatos (e checado por fatos) sobre as maiores questões políticas que afetam e são importantes para a sociedade para os americanos.

Evans diz que ficou motivado a criar o site depois que suas próprias buscas na Internet por fatos por trás de questões políticas específicas o deixaram confuso sobre quais informações eram confiáveis. Frustrado, ele ajudou a lançar “A Starting Point” para ajudar o público americano a entender melhor os problemas que são importantes para eles.

“Nosso objetivo é criar uma cadeia de conectividade entre funcionários eleitos e eleitores para criar engajamento”, disse ele recentemente à PEOPLE. “Tentar criar um pouco mais de envolvimento do público com a arena política”.

Evans continuou esse pensamento durante uma discussão com a Fast Company Tuesday, sobre esperançosamente conseguir que mais pessoas votassem nas eleições gerais.
“Vivemos em um país com mais de 300 milhões de pessoas, acho que cerca de 60% das pessoas votaram [na última eleição]”, disse ele. “Na minha opinião, será difícil criar um governo que reflita com precisão quem somos como nação com esses tipos de números”.

O site está dividido em três seções. Primeiro, há “Pontos de Partida”, que é uma seção do tipo glossário, com respostas de dois minutos a perguntas comuns feitas a nossos funcionários eleitos. A seguir, são apresentados os “Pontos Diários”, que mostram os políticos participantes conversando por um minuto sobre qualquer assunto que desejam abordar. E, finalmente, há “Contrapontos”, uma seção que apresenta uma discussão entre dois funcionários eleitos que têm pontos de vista diferentes sobre um assunto. Os exemplos atuais dessas discussões são: “Como os estados devem equilibrar a reabertura de negócios e a prevenção de um aumento na disseminação do COVID?” e “A votação por correspondência deve ser ordenada pelo governo federal?”

O co-fundador do site, Kassen, produtor e diretor, explicou que o que diferencia o A Starting Point (ASP) de outros veículos e organizações de mídia é que eles estão focados em apenas uma coisa.

“Somos diferentes porque fazemos apenas uma coisa. Essas plataformas são uma lata de informação sobre muitos assuntos e acho que quando as pessoas procuram informações … elas precisam se livrar de assuntos diferentes”, disse ele durante o bate-papo na Internet com a Fast Company. “Não temos esse problema. É sobre o que estamos falando – envolver as pessoas com seus funcionários eleitos”.

O terceiro cofundador da ASP, Kiani, um empresário de tecnologia, acrescentou que não está buscando um ganho monetário, mas para ajudar a informar melhor o público votante.
“Não estou preocupado com a forma como vou ganhar dinheiro com alguma coisa, mas ‘Isso é algo que vale a pena? Vai melhorar a vida das pessoas?’ Se eu puder reunir o time certo e acharmos que podemos fazer a diferença, vamos em frente”, disse Kiani. “Felizmente até agora isso deu certo. Talvez um dia sejamos recompensados generosamente, talvez não, mas o ponto é o que Chris disse: estamos tentando fazer as pessoas se engajarem, votarem, para que, esperançosamente, nosso governo nos represente a todos nós um pouco melhor.”

Evans disse à PEOPLE a maneira de mudar isso, é votando, claro, mas não é tão simples.
“Essa é uma linha muito chata para muita gente, mas isso não significa que não seja verdade”, disse ele. “Dado tudo o que está acontecendo no mundo, mais envolvimento na política é sempre uma coisa boa. Isso só ajudará o governo a trabalhar melhor para nós e a representar melhor quem realmente somos”.

Tradução: Amanda Cerdeira 

Créditos: Chris Evans Brasil 

Fonte: People

postado por Sara Teles e categorizado como Defending Jacob, Entrevistas
08.07.2020

Um sucesso incrível para a Apple TV+ no primeiro ano de existência do serviço de streaming, “Defending Jacob” é centrado em uma família de Boston que luta com os altos e baixos emocionais de seu aparentemente dócil filho adolescente sendo julgado por assassinato. Foi um raro empreendimento na televisão para Chris Evans, que interpreta Andy (pai de Jacob), e também para o Jacob em questão, interpretado pela estrela da franquia “It”, Jaeden Martell. Coincidentemente, foi o segundo projeto de alto nível consecutivo em que colaboraram.

“Descobri que iria fazer ‘Defending Jacob’ enquanto gravávamos ‘Knives Out’ e isso foi realmente emocionante saber que íamos trabalhar juntos novamente”, diz Martell. “Nós conversamos um pouco sobre a história e conversamos sobre nossos personagens e ficamos à vontade um com o outro. Porque acho que às vezes é difícil falsificar química em um filme ou em um programa de TV. Foi bem natural. Tivemos sorte, com certeza”.

Uma adaptação do romance popular de William Landay, Evans comprou a ideia da série limitada pelo escritor Mark Bomback e pelo diretor indicado ao Oscar Morten Tyldum. Ele ainda estava filmando o mistério de Rian Johnson quando, como produtor executivo do projeto, recebeu várias fitas de audição dos principais concorrentes para interpretar seu filho na tela. Quando ele assistiu a finalização de Martell, Evans pensou inicialmente que o jovem ator era corajoso por improvisar parte da cena.

Evans lembra: “Então eu vi o próximo garoto, e ele estava fazendo a cena e as falas eram as mesmas, e eu disse: ‘Espere um pouco, foi o roteiro? Aquela cena que eu acabei de assistir, não foi improvisada? Se você pode fazer com que seu público acredite que são improvisadas, não linhas roteirizadas, isso é uma prova da presença dele. Eu pensei que ele estava inventando as coisas conforme estava indo. É assim que ele é bom”.

Comprometer-se com “Defending Jacob” foi “complicado” para Evans, porque ele recebeu apenas o piloto e deu um “salto de fé” nos sete episódios seguintes. Ele admite que foi “um pouco intimidante”, mas também um tanto familiar.

“De certa forma, era quase aquele ‘sentimento Marvel’, porque obviamente com a Marvel você tem um contrato e um filme chegando, mas você não sabe qual será o filme”, diz Evans. “Então, eu sei muito bem o que é enviar um script e dizer: ‘OK, bem, se eu não gosto disso, não é uma questão de dizer que não estou fazendo isso. É uma questão de dizer, como você conserta isso? Felizmente, toda vez que eu terminava um script [para ‘Defending Jacob’], eu dizia: ‘Cara, esse é outro ótimo roteiro de Mike Bomback. O cara realmente sabe o que está fazendo.”

A quatro vezes indicada ao Emmy, Michelle Dockery, assumiu o papel de mãe de Jacob, Laurie, uma personagem que tem dificuldade em manter-se centrada depois que começa a acreditar que as acusações contra seu filho podem ser verdadeiras. Dockery ficou agradecida pelo projeto ter três semanas de ensaios de preparação para ajudar a concretizar a jornada emocional de Laurie. Com a adaptação de Bomback fazendo algumas mudanças importantes no livro, foi quase um benefício para o nativo de Londres que o último roteiro não chegou até o início das filmagens.

“Temos um senso de controle como seres humanos, e foi interessante passear por esses momentos”, diz Dockery. “Tipo,‘Quando ela realmente vai perder isso aqui? Quando ela está segurando? ‘Eu perdi o sono neste trabalho porque exigia que eu fosse a esses lugares emocionais e certamente tinha que cuidar de mim mesma.”

Dockery lembra que, quando a produção se mudou para o México, “eu estava feliz e sorridente, e foi estranho tocar as cenas em que não havia intensidade ou drama. Na verdade, parecia bastante incomum. Eu estava tipo ‘Oh, eu estou realmente sorrindo nesta cena, isso é estranho.'”

Evans e Dockery tinham ambos 38 anos no momento das filmagens, mas essa foi a primeira vez que o primeiro interpretou um pai na tela, muito menos o pai de um adolescente. A estrela da franquia “Vingadores” insiste que ele “amou”, no entanto.

Ele observa: “Eu tenho dito durante todas as entrevistas, eu tenho um relacionamento maravilhoso com meu pai e apenas a fisicalidade de abrir uma porta do quarto à noite e dizer: ‘OK, amigo, vamos dormir, as luzes se apagam em 10’ ou algo assim. Apenas pequenos momentos como esses eram realmente doces. Me fez querer filhos de verdade.”

O grande mistério que paira sobre “Defending Jacob” é se Jacob matou seu colega de classe ou não. Como pai, Evans parece nunca duvidar da inocência de seu filho. Como mãe de Jacob, Laurie, Dockery tem suas suspeitas. E a série nunca deixa claro.

“Eu assisti reprises de ‘The Sopranos’ e eu esqueci o final [tela preta], que eles simplesmente deixaram tão aberto, e resta à platéia decidir o que acontecerá a seguir e o que eles realmente estão pensando. Portanto, foi importante para nós que não houvesse escolha definitiva”, diz Dockery. “Eu não queria confundir jogando com certeza nessa cena. Mas acho que, porque Laurie chega a um ponto em que ela diz: ‘Já tive o suficiente, e é isso que penso’, de certa forma, acho que é um momento muito comovente porque cria essa divisão entre ela e Andy também. Porque na verdade também se trata de um casamento que está sofrendo em resultado deste incidente. Eu acho que isso realmente é muito explorado, como isso afeta o casamento”.

Martell diz que teve a liberdade de formar sua própria opinião sobre a culpa de Jacob. Os produtores, diz ele, queriam que a maneira como filmavam a história fosse a mesma, independentemente de ele ter feito ou não. “Acho que, se ele fez ou não, ele ainda é o mesmo personagem. Ele ainda é um garoto normal em uma situação muito insana. Então, para mim, a única vez que isso me afetou foi saber se ele estava mentindo ou não. E o público não pode dizer porque ele é realmente um bom mentiroso ou está dizendo a verdade. De qualquer maneira, parece o mesmo por fora, mas muda para mim internamente ”, diz Martell.
O ator diz que tomou sua própria decisão sobre a culpa de Jacob para interpretar o personagem. Uma escolha que ele ainda mantém para si mesmo. Para Dockery, o fato de não ser tão “preto e branco” é algo que ela aprecia na direção criativa de Bomback.

“Todos nós tomamos nossa decisão, penso no que pensávamos”, diz Dockery. “O que eu acho tão bom na adaptação do livro é que ele é ambíguo. Eu acho que as pessoas vão se afastar disso, tendo sua própria opinião sobre se ele fez ou não. Eu acho que é mais interessante do que algo sendo finalizado, amarrando-o e dizendo que é isso. Eu acho que é mais interessante ter algo que ficou em aberto”.

 

Tradução: Amanda Gaia 

Créditos: Chris Evans Brasil

Fonte: Los Angeles Times

postado por Sara Teles e categorizado como Entrevistas
03.07.2020

Chris Evans não se tornou um dos atores mais famosos que trabalham hoje sem a sua parcela de sofrimento. A estrela dos filmes “Vingadores” e o candidato ao Emmy da Apple TV + “Defending Jacob” considera que a audição está em desacordo com a arte de atuar – e, na maioria das vezes, extremamente dolorosa. Abaixo, Evans conta ao “Backstage” o pior de seus muitos testes ruins e oferece conselhos sobre como lidar com tudo isso usando um senso de perspectiva saudável.

Como você conseguiu seu cartão SAG-AFTRA pela primeira vez?

Essa é uma pergunta muito boa, eu gostaria de saber! Fiz muitos trabalhos pequenos em Massachusetts, pequenos comerciais locais e coisas assim. Acho que eles nunca exigiram que você se juntasse à SAG. Eu acho que foi o primeiro programa de TV que eu reservei “Opposite Sex.”

Qual é a performance que todo ator deve assistir e por quê?

Eu diria tudo o que Daniel Day-Lewis já fez em sua vida. Em um sentido mais específico, eu sempre fui muito, muito emocionado por “Um Estranho no ninho”. Eu pensei que Jack Nicholson era uma representação tão bonita dessa irreverência selvagem tentando ser contida, tentando ser negada por um sistema. Ele era tão cativante. Cada cena do filme, eu acho, é perfeita.

Você tem uma história de terror de audição que poderia compartilhar conosco?

Ai sim. Provavelmente há muitos para listar, mas acho que talvez um deles tenha sido o filme de Seth Rogen, onde ele é o policial do shopping. Como diabos se chamava? [“O Policial fora de Controle.”] Entrei na sala, e havia Seth, o diretor e um produtor, e por alguma razão, meu cérebro começou a gritar, apenas gritando: “Não, não, não”. Comecei minha audição e, com cerca de três falas, recebi essa onda de suores e meu rosto ficou vermelho. No meio da audição, eu disse: “Desculpe pessoal. Eu sinto muito. Eu tenho que parar.” É ainda pior porque eles foram incrivelmente legais com isso, tipo, “Não, foi ótimo. Você estava indo muito bem. Eu disse: “Deixe-me ir ao corredor e reunir meus pensamentos”. Entro no corredor, reuni meus pensamentos. Eu estou rindo de mim mesmo, retorno, começamos de novo, e isso acontece de novo. Meu rosto fica tão vermelho. Começo a suar e tenho que parar de novo.
Vou ao meu carro, ligo para meu agente e digo: “Isso foi um pesadelo. Se eu consigo ou não esse filme, não posso deixar que esse seja o último gosto que eles têm na boca. Preciso voltar amanhã e fazer isso de novo. Você precisa me levar de volta para lá. Preciso fazer isso de novo. ” Eles diziam: “Tudo bem, mas eles disseram que você estava bem.” Eu estou tipo, “Eles estão mentindo. Foi terrível.” Eles me trouxeram de volta alguns dias depois e eu voltei. Você não sabe, aconteceu de novo! [Risos] Há uma onda de calor e suor e eu tive que parar de novo. E eu apenas digo: “Gente, desculpe … eu só vou embora”. Eu não consegui esse papel.

E a coisa mais louca que você já fez para conseguir o papel que realmente queria?

Lembro que fiz um filme chamado “Os Reis da Rua” com Keanu Reeves. Eu tive que ler quatro ou cinco vezes e tive que fazer sessões de trabalho com Keanu. Suponho que não seja louco, mas eles não facilitam. Você precisa ganhar. Até certo ponto, eu quase aprecio isso. Posso dizer isso agora porque não tenho que lidar com a audição da maneira que fiz, mas há um conforto em saber, no primeiro dia de filmagem, se você passou pelo processo de audição, que você ganhou isso e eles sabem o que você vai fazer é o que eles querem.

Qual conselho você daria para o seu eu mais jovem?

Quase parece um pouco banal, mas eu apenas dizia a mim mesmo: “Shh”. Apenas “Shh”. É um esporte ativo ficar parado, e a quietude não é apática. Você não está concordando. A quietude está cheia de poder. Tem que ser praticado como qualquer outra coisa. É como um esporte. Seu cérebro quer operar com uma frequência muito ocupada. É tudo o que sabe, certamente nesta cultura e nesta sociedade. Recompense essas sinapses e ensine à sua mente que esse estado de quietude não é de férias. Esse é você. Essa deve ser a configuração padrão neutra. Essa deve ser a Estrela do Norte, não a que você visita exatamente quando está estressada ou triste. Porque tornamos nosso mundo muito, muito pequeno. Quando você faz seu mundo pequeno, o sofrimento aumenta. Há uma grande frase no budismo em que eles dizem que se você tomar um copo de água e colocar um punhado de sal nele e prová-lo, vai ter gosto de merda. Se você pegar o mesmo punhado de sal e colocá-lo em um lago e tomar um gole do lago, não poderá provar o sal. Seja o lago, não seja a água. O sal é uma coisa finita. O sal é sua dor, sua luta. Seja apenas mais do que você pensa que é, e o sofrimento que o ego deseja colocar você não pode competir com essa perspectiva.

 

Tradução: Amanda Cerdeira 

Créditos: Chris Evans Brasil 

Fonte: Backstage

postado por Sara Teles e categorizado como Defending Jacob, Entrevistas
02.07.2020

Na frente ou por trás das câmeras, o ator está estudando a condição humana: “A empatia pelo processo de uma pessoa é uma coisa tão bonita”

Antes de Chris Evans se tornar Chris Evans, super herói e superestrela, ele tornou um hábito perguntar aos parceiros de cena a questão que todo artistas com olhos brilhantes quer perguntar: “Qual o seu processo?”

“Eu conheci alguns atores que são extremamente autoconscientes, extremamente autônomos e incrivelmente inteligentes”, diz ele. “Eu também conheci atores que não têm ideia do que está acontecendo ao seu redor a qualquer momento. E ambos podem apresentar performances fenomenais. Realmente implora a pergunta: “o que está acontecendo em sua cabeça quando você vê um pedaço de papel com um monte de palavras?”

Em algum lugar da jornada de atuar em peças da escola nos arredores de Boston para uma carreira de sucesso em filmes independentes, na Broadway e quase uma dúzia de aparições no Universo Cinematográfico da Marvel como Capitão América, e em sua recente impressionante participação na série limitada Apple TV+ “Defendendo Jacob”, Evans parou de fazer a pergunta – mas não porque ele havia estabelecido uma resposta.

“A única conclusão que posso tirar é que não há fórmula”, diz ele. “Acho que deve estar em constante estado de renascimento. É essa coisa orgânica e viva que você deve reexaminar com todos os personagens.”

“Desculpe se isso me fez parecer pretensioso; Estou me ouvindo agora”, ele acrescenta com um grunhido.

Evans é muito articulado sobre seu caso de amor de 20 anos com atuação e, francamente, encantador demais para parecer pretensioso. Em sua conversa com a Backstage, conduzida remotamente de sua casa em Los Angeles, ele transborda de conselhos práticos para seus colegas e estudantes da profissão.

Os atores no início de suas carreiras poderiam imitar o exemplo de Evans: durante o verão antes do último ano do ensino médio, ele escreveu para os escritórios de elenco da cidade de Nova York sobre estágio. “Achei que provavelmente deveria ter um emprego que me colocou em contato com agentes”, lembra ele. Enquanto ajudava na seleção para o seriado “Spin City”, de Michael J. Fox, ele acabou “conversando com agentes todos os dias e mantendo um livrinho dos agentes que eram legais”. Ele então pediu para ler monólogos para o agente que, depois que Evans terminou a escola mais cedo para uma audição para a temporada piloto, conseguiu um papel na curta comédia da Fox “Opposite Sex”, de 2000 – além de muitas outras audições que ele não reservou.

“Oh, Deus”, diz ele quando o assunto da audição surge. “Noventa e cinco por cento do trabalho é rejeição. Nos primeiros dez anos, você precisa calçar as luvas para todos os trabalhos e entrar no ringue”. Na primeira metade de sua carreira, Evans emergiu da maioria das audições, convencido de que não só não ia conseguir o papel, mas que ele não ia conseguir nenhum papel novamente. “Quando tudo o que você ouve na cabeça é aquele zumbido agudo e as suas palmas estão suando e você sente que não consegue recuperar o fôlego”, ele diz, “é o oposto de tentar entrar em um momento”.

Mas na época em que ele começou a se destacar nas adaptações de quadrinhos (“Quarteto Fantástico”, “Tartaruga Ninjas”, “The Losers” e “Scott Pilgrim”, todas essas que o prepararam para sua estreia na franquia da Marvel em “Capitão América: O Primeiro Vingador” de 2011), Evans descobriu seu truque de ator favorito.

“Você cria um roteiro”, diz ele, de qualquer filme ou série favorita. “Você lê a primeira cena e faz suas escolhas como se fosse realizar a próxima cena. Experimente e mapeie-o. Então, imediatamente depois, assista à cena.”

“Não há nada mais revelador que você possa fazer como ator do que observar como um ator que você respeita disseca uma cena e faz suas escolhas”, continua ele. “Para esticar seu músculo de atuação, compare suas escolhas com as de outros atores. Se nada mais, você será lembrado da tontura da escolha que está disponível em qualquer página do diálogo.”

Foi ao analisar a performance de Jim Caviezel no filme “Olhar de Anjo” que Evans começou a saborear esse tipo de liberdade criativa. “Momentos em que eu fazia tempestade em copo d’água, ele jogou fora. Momentos que eu joguei fora, ele aprofundou no poder da pausa. Foi uma dança tão diferente que ele criou que não tinha absolutamente nada a ver com as palavras, mas as palavras ainda se encaixam perfeitamente.”

De fato, o diálogo parecia quase irrelevante. “As palavras não são realmente indicativas de quem você é. Se você, em sua vida cotidiana, montou uma câmera e filmou uma conversa com talvez você e um de seus amigos, e depois alguém a imprimiu, fez um roteiro e você a revisitou em seis meses – A) Duvido que você consiga interpretar a você mesmo de maneira adequada e B) Duvido que as palavras na página abranjam com precisão todos os tons de quem você é. Eu acho que um dos erros que os atores tendem a cometer é acreditar que as palavras são as migalhas de pão. [Mas] são os personagens e os espaços entre eles.”

“Você tem que começar em um sentido muito mais macro, em termos de [perguntar] que história estamos tentando contar? Como meu personagem se encaixa nesse tema?” Isso nos leva a um tópico que Evans está claramente qualificado para abordar: pegar um personagem bem conhecido na literatura e dar vida a ele na tela. Os fãs dos quadrinhos de Joe Simon e Stan Lee, por exemplo, leram sobre o Steve Rogers (que também é o Capitão América), de queixo quadrado e porte de escudo. As esperanças e percepções dos espectadores devem ser um elemento no processo de adaptação do ator?

“Havia uma expectativa enorme que essas pessoas já tinham em mente, essa ideia de quem era esse personagem e você tem que respeitar isso”, diz Evans, que em 2010 hesitou diante dessas expectativas antes de assinar seu contrato de vários filmes. “O público é parte do que fará com que [esses filmes] funcionem, e devo a esse grupo minha compreensão do que eles vêem.” Novamente, começando pelo contexto, e não pelo diálogo, ele adotou a abordagem macro, lendo a quase interminável litania de material com o Capitão.

O próximo passo para adaptar esse personagem, no entanto, deve ser o foco interno. “Em um determinado momento, você precisa dizer: ‘OK, eu tenho que abordar isso da maneira que faria com qualquer outra coisa’ e conectar-me a ele em um nível pessoal, sem que todos os dias me preocupe com a forma como isso será recebido,” ele explica. Seja navegando pelo processo artístico, uma carreira em Hollywood ou apenas a vida, “tentar cortar seu pano de acordo com o que você vê é uma abordagem arriscada”.

É por isso que Evans está tão entusiasmado com a mais recente fase pós-Cap de sua carreira. “Adorei meu tempo com a Marvel; Eu já sinto falta disso”, diz ele, “mas não há como negar que é muito emocionante ter total liberdade para perseguir o que meu instinto criativo quiser”. Embora seus compromissos com a franquia tenham proporcionado a Evans um projeto de paixão ocasional, como “Expresso do Amanhã” de 2013 ou “Before We Go” de 2014, sua estreia como diretor, ele agora está pronto para se esforçar como artista e subverter as expectativas do público em tempo integral. Foi o que o levou de volta aos palcos para a Broadway em 2018 com o revival da peça “Lobby Hero”, de Kenneth Lonergan, para o mistério de assassinato de 2019 “Entre Facas e Segredos”, e agora para o papel de Andy Barber no excitante “Defending Jacob” da Apple TV +.

Adaptado por Mark Bomback do romance de William Landay e dirigido por Morten Tyldum, as oito parcelas de “Defending Jacob” acompanham a dissolução da família de Andy após uma acusação de assassinato contra seu filho adolescente Jacob (interpretado por Jaeden Martell). Enquanto Jacob mantém sua inocência, evidências crescentes e uma série de revelações forçam seu pai a enfrentar seus próprios enganos e faz com que sua mãe, Laurie (Michelle Dockery), tenha dúvidas impensáveis.

“Andy teve uma infância muito desafiadora”, diz Evans sobre o personagem. “A maioria das pessoas que passam por experiências traumáticas quando jovens criam muros e mecanismos de enfrentamento muito cedo; eles enterram as coisas no fundo”. Questionado se Andy duvida da inocência de seu filho, ele responde com cuidado. “Parte do processo de deixar esses demônios do passado veio de se identificar novamente como um homem de família, um marido, um pai. Quando, de repente, essa família fica em perigo – quando esse sistema de crenças, essa identidade que tem sido verdadeiramente sua graça salvadora, é comprometida – acho que Andy não pode lidar com a possibilidade de mergulhar fundo e despejar essa bagunça e realmente examinar isto.”

E, Evans ressalta, muitas pessoas realmente vivem dessa maneira. O que faz de “Defending Jacob” um capítulo tão notável em sua jornada de atuação não é apenas o fato de ele aproveitar o processo de adaptação do livro à tela, embora em menor escala (“Você quer ter certeza de respeitar o autor mais do que qualquer outra coisa,” ele diz), permite que ele brinque com o contexto e a ofuscação, aqueles emocionantes “espaços entre eles”. Quão bem podemos realmente conhecer nossos entes queridos? Qual é a natureza da culpa, tanto em um tribunal quanto em nossa psique? Tanta coisa não é dita entre Andy e Laurie, ou Andy e Jacob, ou Andy e seu pai, Billy (JK Simmons) – como membros da família e como humanos experimentando traumas coletivos – que Evans e seus colegas de elenco podem sondar profundezas aparentemente intermináveis de subtexto em sua dinâmica.

É o tipo exato de subtexto específico, ainda que universal, com o qual o público pode se relacionar e com o qual grandes atores gostam de interpretar. Evans traz uma citação de Julianne Moore sobre o ofício: “’O público não vem vê-lo, eles vêm a si mesmos.’ Mesmo quando você interpreta um personagem íntimo, reservado e taciturno, você ainda precisa ser aberto o suficiente deixar as pessoas entrarem.”

O que nos leva à maior dica de Evans para os atores, tanto na câmera quanto fora dela: cultive a prática da quietude.

“Às vezes, as escolhas que eu acho mais poderosas e comoventes, as escolhas que fazem você se inclinar para um ator, as escolhas que fazem você querer mais, são encontradas nos momentos intermediários”, diz ele, “quando um ator sabe se reter e usar o poder do silêncio, da escuta … Atuar é a empatia pela condição humana. Seja você um herói ou um vilão, a empatia pelo processo de uma pessoa – a empatia por reconhecer que você não sabe como as outras pessoas experimentam as coisas e a curiosidade de tentar traçar paralelos entre a experiência deles e a sua – é uma coisa tão bonita.”

É mais uma prova de que abordar uma história ou personagem exige muito mais do que memorizar frases. Caso em questão: a cena final ambígua de “Defendendo Jacob”, na qual Andy está sozinho em sua casa. Evans senta-se sem palavras; em vez de uma ação conclusiva ou gesto simbólico, há apenas quietude. Com essa escolha, ele está nos convidando a entrar; ele está nos mostrando.

“Isso se estende muito além dos domínios da atuação, para a vida em geral: todos somos vítimas de nosso próprio ruído cerebral”, diz Evans. “A ferramenta mais útil que eu poderia [recomendar] a um ator ou a qualquer pessoa é cultivar a participação ativa do silêncio em sua mente, cultivar a capacidade de se render ao momento.”

“Acho que parece um pouco pretensioso, mas isso realmente é tudo o que é atuação, não é?”

Tradução: Amanda Gaia

Créditos: Chris Evans Brasil 

Fonte: Backstage