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11.09.2015
postado por Flávia Coelho e categorizado como Entrevistas

Como Capitão América, Chris Evans se transforma de um magrelo patriota numa arma contra Nazistas de destruição em massa. Aqui, numa aventura pervertida como nossa escritora, ele nos mostra como sair à noite, e talvez dominar o mundo

“Peitoral do Chris Evans. Como eles são? Como pedras macias numa loja de souvenir?”

É a mensagem que aparece na tela do meu computador numa manhã de segunda-feira em abril. Meu amigo Kyle me manda um link para uma página de fofocas do New York Daily News: eu estou sendo descrita como uma ‘misteriosa donzela’ que Evans apresentou à mãe na festa de estreia de seu filme; nós seguramos as mãos, o jornal está dizendo, ‘de maneira afetuosa’, e ainda tem mais ‘uma delas está sobre seu peito’. Oh.

Quando eu comecei a trabalhar nesse perfil, eu decidi optar pela abordagem ‘dizer sim a tudo, tentar ser legal’, com a ideia de que talvez conseguisse obter algo verdadeiro sobre a estrela de Capitão América: O Primeiro Vingador – ou com ‘verdadeiro’ como eu esperava que pudesse ser com o tempo que passamos juntos. Mas nos dias desde a minha primeira entrevista com Chris Evans, eu fiquei bêbada embaixo duma mesa, saí escondida da sua casa às 5:30 da manhã, consegui uma carona para casa com uma transexual, fui importunada impiedosamente na frente de sua mãe, e agora isso no papel.

Eu não me lembro de tocar seu peitoral, o que é muito ruim.

Deixe-me começar com nossa entrevista oficial, o que foi um pouco mais profissional e digna. Chris Evans chegou pontualmente ao Sonny McLean, um pub irlandês em Santa Monica escolhido por nenhuma razão além do fato de sermos de Boston, e em Boston há inúmeros bares irlandeses. Ele apareceu com óculos aviadores, uma camiseta vermelha, e um boné de baseball puxado até suas sobrancelhas. “O quão agressivo eu consigo ser?” Chris perguntou. “Doses?” Acontece que o bar só servia cerveja e vinho, difícil, então ele pegou uma caneca de cerveja que o fez se ‘sentir como um viking’. Eu tomei o primeiro de muitos vinhos brancos.

Essa noite foi a sua menos ‘normal’ noite de sábado em Los Angeles. Normal no senso de que em poucos dias ele estaria voando para Albuquerque para a pré-produção em Os Vingadores (no qual, Evans se junta como um super-heroi de um super grupo que inclui Homem de Ferro de Robert Downey Jr. e Hulk de Mark Ruffalo). E normal no sentido de que ele está na metade do caminho de ser um cara famoso, mas ainda capaz de andar na rua com seu cachorro em paz para ser um nome familiar – ou se não um nome totalmente familiar, mas no mínimo um nome familiar como o nome dos amigos dos filhos adolescentes. Ele estava tendo uma festa de despedida e passou toda a entrevista trabalhando nas festividades.

Chris Evans está com 30 anos e é bem bonito de uma forma familiar – meio que o cara mais bonito com quem você estudou no ensino médio e que envelheceu muito bem após a formatura. Seus dentes não são extremamente brancos, suas roupas não são particularmente estilosas. Sua face é bem amigável, mostra os dentes, e é bem mais sorridente do que a cara séria que ele faz nas campanhas de outdoor com Evan Rachel Wood para a nova fragrância da Gucci, Guilty. Também, e a mãe dele vai me matar por dizer isso, mesmo que ele seja um gigante na tela, pessoalmente ele é um cara de altura normal e que ocupa um espaço normal. Sua mãe, Lisa, cuja fraqueza é procurar por mensagens na Internet, disse, “Alguém escreveu no IMDb que ele parecia tão pequeno! E eu fiquei tipo, ‘Ele estava ao lado do Chris Hemsworth (estrela de Thor) – é claro que ele pareceu pequeno! Shaquille O’Neal pareceria pequeno!’ Às vezes, eu fico estressada, porque eu não quero que ninguém diga uma coisa ruim sobre meu filho, então eu ligo para ele e digo, ‘Alguém disse que você parece pequeno!’ e ele me diz, ‘Mãe, você tem de parar com isso, você tem de parar.’ Então, eu tenho tentado parar.” Chris, depois, rindo: “Ela não parou nada!”

Já que nós dois estamos solteiros e na mesma idade, foi difícil para mim não tratar nossa entrevista como um encontro. Surpreendentemente, Chris fez o mesmo, perguntando sobre mim, minha família, meu trabalho e o meu relacionamento mais recente. E em dez minutos ele contou uma piada e colocou a mão sobre a minha, Chris continuou tocando a minha mão e uns tapinhas nas costas, beijando minha mão e joelhos se encostando. Ele é uma estrela de cinema muito atraente, sem reclamações. Eu também não sabia o quanto deveria responder; quando o fiz, parecia como dar em cima do bartender ou confundindo o flerte profissional do bartender com algo a mais. Eu queria pensar que era genuíno, ou que pelo menos parte era, porque eu gostei dele logo de cara.

É nessa parte do perfil de uma celebridade onde eu falo sobre o quanto os olhos da estrela são azuis? Porque eles são muito azuis.

Nós dois bebemos muito e falamos muito. Eu não abri o notebook com as perguntas que eu tinha trago comigo.

“Eu não conheço muitas Ediths”, ele disse.
“Você provavelmente pensou que eu teria 100 anos.”
“Sim, eu ouvi ‘Edith’ e pensei que ela teria uns 60 anos.”

Eu não consegui perceber se ele estava brincando, sendo receptivo, um cara normal ou apenas interpretando o cara brincador, receptivo e normal para encantar a repórter. E num certo ponto (e não sei se isso prova o verdadeiro Chris ou a teoria do Chris ficcional), ele disse: “Eu sempre digo que os momentos na minha vida em que eu me senti o mais feliz são tempos em que eu, por exemplo, vi o pôr-do-sol…”

“Espere.” Sério? “Os momentos da minha vida em que eu me senti o mais feliz são tempos em que eu, por exemplo, vi o pôr-do-sol…”
“Sim, o quê?”
“Isso vai ser a citação principal.”
“O ponto é que quando eu assisto ao pôr-do-sol ou vejo uma cachoeira ou alguma coisa, por um instante, é tão bom, porque por um instante eu estou fora do meu cérebro, e não há nada a ver comigo. Eu não estou tentando entender nem nada, você entende o que quero dizer? E eu me pergunto se eu consigo de alguma forma encontrar uma forma de manter esse estado mental.”
“É para isso que o álcool serve, certo?” Eu disse, o que foi fofo demais e muito presciente.
“Boom.” Batemos as palmas (high-five). É difícil dizer o que ele fez mais: high-five quando ele gostou duma piada dele ou minha, ou fazer gestos idiotas quando ele ficou louco ao ouvi-lo falar.

No bar, nós conseguimos conversar sobre como ele foi de fazer comerciais em Boston a se tornar uma grande estrela de ação em Hollywood. A mãe de Evans cuida do Concord Youth Theatre fora de Boston, onde ele e seus irmãos se apresentaram pela primeira vez. (Seu irmão, Scott, com 27 anos e também um ator, é provavelmente conhecido pelo seu personagem, um policial gay, em One Life to Live.) Chris é o ‘tipo de grande idiota’, sua mãe me disse. “Aos 30 anos, ele ainda sabe todas as letras das músicas de A Pequena Sereia.”

Apesar do teatro para crianças, ele conseguiu estrelar comerciais locais, e quando acabou o ensino médio, ele decidiu tirar um ano de folga para ver se conseguia se tornar um ator. Então ele se mudou para Nova York, e depois para L.A., e … se tornou um ator. Ele teve seu primeiro grande papel aos 20 anos em Não é mais um Besteirol Americano, seguido pelos não tão bem recebidos Nota Máxima e Celular – um grito de Socorro. Ele ganhou a atenção dos tabloides pelo seu longo relacionamento com Jessica Biel, e ganhou a atenção dos fãs com Quarteto Fantástico, a atenção da crítica em Sunshine – Alerta Solar de Danny Boyle, e a atenção dos garotos legais no filme Scott Pilgrim Contra o Mundo. Seu personagem no último filme, um dos ex-namorados malvados enfrentado por Michael Cera para ganhar o coração da garota indie, é todo uma versão cômica com sobrancelhas arqueadas e bajulador e um tom sarcástico.

“As sobrancelhas”, ele disse, com seu sotaque de Boston. “O personagem deveria ser esse ator super ruim e um idiota total, e eu consegui o papel e muitas pessoas ficavam falando, ‘Você é perfeito, você vai arrebentar!’”, ele continuou com sua raiva fingida. “Eu fiquei tipo, ‘então eu consegui esse papel de um ator horrível, e vocês acham que eu arrebentei? Que eu sou natural e que ninguém conseguiria fazer melhor?” Esse é o seu filme favorito: “Foi realmente divertido. E eu amo o Michael Cera. Eu realmente amo. Eu gusto daquele garoto.”

Capitão América exige um diferente tipo de comicidade – uma completa, e quase dolorosa sinceridade. “Isso é o tipo de coisa que pode ficar muito melodramática e muito séria se você não for cuidadoso”, diz o director, Joe Johnston. “Mas Chris lidou com isso perfeitamente, deixando a sombra certa ao transformar um personagem de quadrinhos para carne e sangue.” Chris interpreta Steve Rogers, que é muito magro para se juntar ao exército. Nos estúdios da Marvel em Manhattan Beach, um produtor me mostrou como eles usaram CGI para colocar o rosto de Chris no corpo de um cara bem menor ou, usando o mesmo efeito, para encolher seu corpo, um cara de 1,83m e 81 kg para um cara de 1,60m e 55kg. O patriota fora do peso se voluntaria para um projeto experimental militar ultra-secreto, e Steve Rogers sai da cabine de experimento com um corpo brilhoso e gigante e livre de CGI do Chris Evans. “Seus ombros, seu peitoral, é tudo ele”, disse o presidente da Marvel Estúdios e produtor do Capitão América, Kevin Feige. “Ele tem o físico dos quadrinhos.”

Eu não sei qual a rotina de exercícios de Chris, porque é uma das muitas coisas que eu esqueci de perguntar a ele.

A forma como ele conseguiu o papel foi em si um mini-drama nos fan sites e blogs de filmes. “Depois do primeiro ou segundo round de testes oficiais de tela, minha equipe e eu voltamos e colocamos nossas mãos na cabeça e dissemos: “Vamos olhar a lista novamente. Quem nós perdemos?” Feige diz. “E eu vi a foto de Chris. Tem alguma coisa sobre o Chris. Por que não o trazemos?” Então eles o fizeram, e o amaram, mas Evans não tinha certeza e então eles ficaram indo e voltando por semanas até que ele finalmente aceitou. Como eles o persuadiram a finalmente conseguir o papel?

“Bem, eles não o fizeram”, Evans disse depois dos nossos drinks no pub irlandês. “Eu disse não um monte de vezes, e toda vez que eu disse não, eu acordei na outra manhã muito feliz e contente. Eu continuava dizendo ‘não’, e eles continuavam voltando. E eventualmente eu estava meio que ‘Quer saber o quê? Esse é o seu maior medo – isso e exatamente o que deve fazer.” Ele deu um golde enorme de cerveja no seu copo gigante. “Mas veremos. Eu poderia estar cantando num ritmo diferente em seis meses. É fácil falar todas essas coisas pretensiosas agora.” Ele grunhiu e fez um gesto obsceno. “O problema é que, se o filme é ruim, isso é um dos muitos problemas. Se o filme for bom, acontecem as sequências, e aí vem a merda…” Ele disse, se segurando antes de reclamar, o quê? Brinquedos de ação? Os paparazzi? A atençaõ? “Vamos manter um respeito saudável sobre o que estamos falando aqui” Ele continuou. “É por isso que eu me odeio em entrevistas. Do nada, você para e fica como, ‘Chris, como você ousa? Eu não vivo em Darfur. Eu tenho as duas pernas.”

“Mas você não pode ficar o tempo todo ‘Eu sou tão grato, eu não vivo em Darfur.’”
“Mas por quê?” Ele perguntou.
“Porque você não pode.” Eu disse.

E então eu me perguntei se essa conversa toda foi como um teste para ele, para ver se ele poderia ser tanto o cara normal de Boston e a famosa estrela de cinema de Capitão América ao mesmo tempo, fazer todas as coisas que você faria se não houvesse um gravador entre nós na mesa, e confiar que o seu verdadeiro ‘eu’ normal seria o bastante para fazer apropriadamente o perfil de uma celebridade. Mas ele pareceu um pouco preocupado se eu o faria parecer como um idiota. Eu expliquei que mesmo se ele fosse o maior idiota, eu provavelmente não poderia tratar o garoto da capa da GQ dessa forma. “E se eu dissesse que eu odeio asiáticos?” Ele continou. “Brincando, brincando. Essa é a frase: ‘Chris Evans odeia asiáticos.’”

Eu o assegurei que ele não tinha com o que se preocupar.

“Está tudo correndo bem?” Ele perguntou.
“Está indo muito bem.” Eu disse.
“Estou arrebentando?”
“Você está arrebentando.”
“Você está arrebentando também.” Ele disse. “Eu vou escrever um artigo sobre você.”
“Eu não sou um fumante.” Ele disse uma hora ou duas depois da nossa entrevista, “E eu não tenho cigarros. Mas eu tive essa cerveja gigante…” Quando ele voltou para mais um round – uma caneca enorme nas suas mãos enormes de Capitão América, e meu vinho branco na outra – ele parecia ter se chateado no bar.

Apesar de eu não fumar, sim, eu me juntei a ele do lado de fora, e eu posso dar um trago? Talvez eles façam cigarros diferentes em L.A.., mas quando você divide um com uma estrela de cinema, eles são ótimos. Todos deviam tentar.

Apesar da agente dele especificamente dizer a ele que não, ele me convidou para sua festa de despedida. “Minha pobre agente”, ele disse. “Ela sabe que eu gosto de beber. Ela está sempre dizendo, ‘Por favor, não beba muito, por favor, só não beba muito – você vai levar essa pessoa para sair, e eles vão te arruinar.’”

Nós estávamos a caminho separadamente para o jantar primeiro. Eu disse que chamaria um taxi, mas Chris riu e insistiu que seu motorista me levaria de volta ao hotel.

No banco de trás, Chris flertou ainda mais que antes, tocando meu braço e meu joelho. Nesse ponto, que foi após inúmeros drinks, estava fácil esquecer que aquilo realmente era uma entrevista, e que eu estaria mentindo se não tivesse passado pela minha mente que algo poderia acontecer (e nós iríamos ao Oscar, nos casaríamos e teríamos bebês e ficaríamos juntos até morrermos?). Mas sempre há a questão do quão verdadeiro é Chris Evans, e quem eu deveria fingir ser como resposta.

Então eu me controlei, decidi que ser ‘boa repórter’ era uma maneira esperta para tentar por alguns minutos, e corri para as perguntas fáceis que eu tinha me esquecido de perguntar a ele no bar. Ele criaria sua família em Boston? “Absolutamente.” (Ele acabou de comprar um apartamento lá.) Qual seu tipo favorito de música? “Rock clássico.” Qual era a estação de rádio favorita ao crescer? “Eu era um grande…” E antes que ele pudesse acabar, eu disse: “JAM’N 94.5?!” (Essa é a estação que toca hip-hop, e a minha favorita, então eu estava esperando…)

“BALTAZAR AND PEBBLES!”, ele disse instantaneamente numa perfeita – perfeita – imitação dos DJ’s da rádio dos anos 90. Você tinha que estar lá, eu acho, e você também tinha de ser de Boston e familiar com as rádios. Mas ainda assim!

Algumas horas depois, eu fui para o Voyeur. O lugar estava escuro, barulhento, com algumas mulheres seminuas segurando os capacetes de storm-trooper dançando num palco e parecendo coloridas, e pessoas muito bonitas de idades indeterminadas estavam no local parecendo entediadas. Eu não consegui achá-lo, então fui ao bartender e disse, com aquela que eu costumo pensar que é minha expressão de ‘séria’ e pela qual eu sou grata por nunca ter visto, “Hum, eu sou uma jornalista escrevendo o perfil de uma celebridade que está nessa boate, e estou procurando por ele? Você viu, hum, Chris Evans? Há, tipo, uma área VIP?” Na minha mente, aparentemente, funcionários de boates em West Hollywood recebiam informações automáticas onde e quando as celebridades estavam. De qualquer forma, ela não tinha ideia e também não se importou nem um pouco.

Eu procurei em volta em meio a todo aquele barulho e dos globos de luz até que Chris saiu do meio da multidão. Ele tinha trocado sua camiseta vermelha por uma branca idêntica, apesar do seu boné preto ainda estar puxado para trás. Ele me deu um beijo na bochecha e me levou à mesa. Seus amigos mais próximos são do ensino médio, ou pessoas que ele conheceu em L.A. quando ele veio há 10 anos atrás e que já deixaram a indústria do entretenimento. Eu sentei no sofá e ganhei um sorriso de uma de suas amigas e seu namorado. As próximas horas se passaram assim. Havia uma troca de gritos entre os amigos de Chris. “Eu sou de Nova York.” “Nova York?” “Não, Nova York.” Havia algumas visitas intermitentes de Chris para apertos de mão e beijos na bochecha entusiasmados, que pareciam bem menos como flertes do que exagero de álcool, mas ele parecia fazer questão de ter certeza que as pessoas não parecessem entediadas e estava sempre tomando conta de alguém e nunca sentando sozinhas.

Infelizmente para mim, foi só por água abaixo a partir daqui.

Cinco dias depois, em Nova York, Chris Evans está me envergonhando na frente de sua mãe. “Edith foi martelada!”, ele diz. “Martelada!” Seus amigos, famílias e eu estávamos todos numa monstruosa SUV, saindo da première do seu mais recente filme, um drama sobre advocacia, Código de Honra, para a festa no Lower East Side. Ele trocou seu uniforme de camiseta e boné de baseball por um figurino de super estrela, com um terno azul e gravata, e eu estou esprimida entre ele e seu amigo Zach no banco traseiro. Mesmo com a luz do carro e após horas de bebedeira, a pele de Evans parece limpra e fresca, seus olhos estão ainda mais azuis e vívidos. “Nãããão”, ele diz. “Oh, mas você estava!”, ele insiste. “Por favor, por favor, não!” Eu pedi, fechando meus olhos. Mas ele continua e, alto o bastante para o carro todo ouvir, volta a contar a história humilhante do que aconteceu na boate.

Até meia hora antes, eu não sabia o que realmente tinha acontecido. De fato, eu gastei toda a semana praticando perguntas de forma que soasse normal, como “Para verificação dos fatos, você poderia me recapitular o que nós fizemos depois da boate em uma ou duas frases?” Exceto que quando eu finalmente fiquei sozinha com ele, o que realmente saiu foram falas parecidas com: “Oh, meu Deus, eu estava horrível, o que aconteceu, e por que eu estou sempre tão bêbada?”

Ele riu. “Você não se lembra?”

(Foi por aí que nós fomos flagrados pelo jornalista de fofoca que eu não sabia que era um jornalista de fofoca, ou eu não teria explicado a ele na volta do banheiro como o Chris tinha flertado e que eu tinha ‘a maior queda por ele’ Haha. Oops!)

Então a história da minha noite de sábado perdida, que Chris me contou sozinha e depois para todos no carro: Depois da boate, ele e seus amigos e eu voltamos para a casa dele. E aqui é onde eu descrevo a casa dele, exceto… Que eu não me lembro de nada disso. Era definitivamente…Limpa. E espaçosa. Mas confortável, não muito estilosa. Havia coisas nas paredes. Coisas em molduras. Fotos. Havia… tapetes? Me desculpe. Eu sinceramente queria que eu me lembrasse disso melhor. Definitivamente tinha uma mesa de sinuca, porque em algum momento, aconteceu uma espécie de competição de ‘pular sobre a mesa de sinuca’, não que eu tenha alguma lembrança do que aconteceu. No carro, Chris aproveitou para explicar a todos que em algum momento eu decidi sair pela janela e ver como estava noite. “Então, meus amigos ficaram, tipo, ‘Acho que sua amiga está com algum problema’, Chris diz, “E olhe, a Edith está na sarjeta!” (Não deitada sobre a sarjeta. Isso eu lembro. Sentada na calçada, tentando e falhando ao pedir um taxi.)

Então ele me levou de volta para sua casa, me colocou num quarto de hóspedes para dormir, e disse que me levaria para casa de manhã. E no espaço de dez horas, nós passamos da fase de completos estranhos para pessoas que dormem um na casa do outro – exceto, de novo, que ele não poderia me expulsar, porque depois eu diria, “Chris Evans me expulsou de sua casa” aqui no artigo. Nós éramos amigos, em outras palavras, mas não tão amigos. Quando eu acordei às 5:30 da manhã, eu saí sorretairamente pela porta da frente, pesquisando no Google, por ‘taxis em LA”, “taxis em Los Angeles”, “me ajude California” no meu celular. E eu ainda estava meio bêbada e não tinha ideia onde eu estava, mas havia algo calmo sobre o ar pesado e a névoa e os pássaros cantando e meu saltos estalando. Nenhuma companhia de taxi respondeu, e nenhum taxi veio. Mas eventualmente, uma transsexual asiática, loira e muito bonita com seu amigo muito mais novo encostaram e perguntaram se eu estava bem, ao invés de me estuprarem e me matarem, foram bem gentis e me levaram de volta ao meu hotel.

No SUV, Chris disse que sair pelas janelas é algo que ele consegue se ver fazendo. Sua mãe me falou sobre os ombros do banco da frente que isso foi minha ‘iniciação’.
Na festa no Thompson LES Hotel, Chris me conta que eu deveria assisti-los filmar umas cenas extras do Capitão América na Times Square em alguns dias. Eu tive a impressão de que isso nunca aconteceria e, de fato, não aconteceu. Ele está circulando de grupos em grupos, rindo, interagindo, conversando um pouco e sempre voltando para mim… eu não sei para quê. Ele ainda flerta, mas se é manipulador, se não é sincero, se o sentimento é genuíno, calculado ou algo familiar e confortável – mesmo que seja um pouco estranho considerar o que é real e o que não é. Mas depois de certa hora da noite e independente do copo de vodka com cranberry oferecido na festa, eu estou muito cansada para continuar com ele ou tentar descobrir se foi um jogo ou não. Nós nos abraçamos e eu me vou.

“Não se torne uma estranha”. Ele me mandou numa mensagem no outro dia. E nós nos tornamos amigos no Facebook.

Uma outra coisa que eu deveria mencionar sobre Chris Evans: Ele é a pessoa mais incrível que eu já conheci na minha vida, e isso é o que eu falei para ele que eu diria nesse artigo para que ele me devolvesse a minha jaqueta que esqueci na casa dele, e ele devolveu.

Tradução: Tássia Cintra.
Créditos: Chris Evans Brasil.

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