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postado por Sara Teles e categorizado como Uncategorized
23.07.2020

A angustiante série limitada da Apple TV+ adaptada do romance homônimo de William Landlay é sobre um adolescente de Boston acusado de matar um colega de classe, e como essa acusação acaba com sua família. Os pais do menino – Andy Barber (Chris Evans) e sua esposa Laurie (Michelle Dockery) – estão em desacordo, lutando com a possibilidade de que seu filho é culpado e eles podem ser os responsáveis. Eles se perguntam o que fazer a seguir.

Os papéis pediam por performances extraordinariamente marcantes de Evans (que recentemente aposentou seu escudo de Capitão América) e Dockery (que descartou sua tiara de Lady Mary). Eles tiveram que transmitir choque e desespero e a dor de assombrar memórias com pouco mais do que expressões sutis. Os atores (Evans também é um produtor executivo da série) explicaram para Jennifer Vineyard do emmy como uma relação de trabalho próxima ajudou eles a interpretar pais sob intensa pressão. Nota: pequenos spoilers à frente.

Chris, você se juntou a este projeto muito cedo. O que te atraiu tão fortemente, e por que você decidiu se tornar um produtor?

CE: Talvez eu não devesse falar isso tão francamente, mas algumas vezes o próximo passo mais natural é dizer, “Sim… e coloque meu nome como produtor”. É só uma garantia, que se o projeto começar a espiralizar, você tem mais a dizer. Esta série foi um salto de fé. Eu tive uma série de reuniões com o [criador-showrunner] Mark Bomback e o [produtor executivo-diretor] Morten Tyldum, e eles lançaram aonde o personagem iria, como a história evoluiria. Não que eu não amasse o piloto, mas é assustador se comprometer quando você está um pouco cego. Então, às vezes as pessoas [envolvidas] se tornam o atrativo.

MD: Eu amo Mark e Morten. Eu pensei, “Se esses caras estão no leme, então estamos em uma coisa muito boa. E eu adoro trabalhar nos Estados Unidos.

O atrativo de fazer séries nos EUA é que temos melhor artesanato do que no Reino Unido?

MD: Você tem sorte se conseguir um biscoito às quatro horas em uma produção britânica! As pessoas são mais alimentadas [nos EUA]. E as equipes britânicas ficam com tanta fome quanto as equipes americanas!

Você não fez um teste de química com Michelle para ver se vocês se encaixariam como um casal…

CE: Você meio que diz: “Vamos manter nossos dedos cruzados para que ela seja um pessoa adorável, mas se ela for um pesadelo, o talento dela sozinho valeria a pena.”

Como ela poderia ser um pesadelo? Muitas exigências de biscoitos?

CE: Ela poderia ser uma atriz ruim! Há algumas pessoas que conseguiram unir carreiras — eu posso ser um deles! — e continuar me virando. Mas, felizmente, Michelle acabou sendo uma joia, e ela elevou o papel de maneiras que não poderíamos ter imaginado.

Uma questão crucial que esses pais enfrentam é sua própria cumplicidade. Se vocês estivessem na mesma posição, vocês jogariam fora a faca ou virariam ela?

CE: Oh, eu jogo fora a faca! Eu posso ter abordagens corretas no meu sofá, mas eu jogo a faca, eu enterro o corpo, eu faço o que tiver que fazer para manter meus filhos seguros. Provavelmente não é moral, mas esse sou eu.

MD: Eu faria o mesmo. Às vezes, interpretando Laurie, eu lutava com isso. Eu me perguntava: “O que minha mãe faria?”. Sempre que algo dá errado, minha mãe diz: “A culpa é minha”. Acho que é disso que se trata a Laurie. Ela se sente responsável: “O que eu fiz?”. Laurie é assombrada por esses pensamentos. E a parte mais triste é que Laurie não pode viver com isso. Mas havia vezes quando eu ficava tipo: “Bem, eu não faria isso.” Acho que teria um pouco mais de autocontrole. Eu amo que o final é ambíguo e bastante diferente do fim do livro. Eu gosto que ele é deixado aberto, de certa forma.

CE: Acho que o desenrolar de Laurie não foi atribuído apenas à natureza sombria de Jacob, mas para a lenta percepção de que seus relacionamentos eram baseados em mentiras. Era menos sobre matar a semente ruim, e mais sobre não se tornar parte dessas mentiras.

Cada um de vocês teve que tomar uma decisão sobre seu personagem. Michelle, para você pode ter sido se Laurie realmente não se lembrou de uma grande decisão que ela faz perto do final. Chris, para você poderia ter sido se Andy estava em negação porque, no fundo, ele acreditava que Jacob era culpado. Para Jaeden Martell (que interpreta Jacob), poderia ter sido se Jacob na verdade, era culpado. Como vocês tomaram essas decisões?

MD: Jaeden ainda não nos disse se ele acha que foi o Jacob! Eu certamente tive que decidir pela Laurie, e o que é interessante no final é que Laurie encontra Andy no meio. Na última cena, Laurie fica tipo, “Eu vou fingir que isso não aconteceu. Vamos continuar”. Se ela quiser a família de volta, eles têm que esquecer isso, sabe?

CE: Eu diria que Andy é um daqueles tipos que não tem intenção de se auto examinar. Como a maioria dos jovens que experimentam trauma, eles desenvolvem mecanismos de enfrentamento. Eles não sorriem muito. Eles não riem muito. Eles enterram emoções. E funciona, por um tempo. Andy se apoiou nessas táticas de sobrevivência por tanto tempo que ele fica tipo, “Eu não vou continuar nesse assunto. Eu vou enterrá-lo e lidar com ele”. A escuridão é demais. Não é uma forma de preguiça. É que ele é incapaz disso. Isso o sobrecarregaria. Eu não acho que Andy permite a si mesmo pensar: “Jacob fez isso?”. Para mim, a circunstância de ter um filho acusado de assassinato é a jusante de navegar como Andy lida com a culpa, porque se não fosse esse trauma, seria outra coisa. Não importa o que você tente colocar no fundo do seu armário, vai sair.

Esses personagens enfrentam muito escrutínio público. Eles não estão acostumados com isso, mas vocês estão. Isso te ajudou a lidar com a situação deles?

CE: Sabe, eu ia dizer isso, mas me senti um pouco envolvido. [Risos] Eu só não queria enquadrá-lo como: “Cara, ser famoso é difícil!”. Tenho certeza que Michelle e eu conhecemos pessoas que passaram por situações em que coisas que deveriam ser pessoais se tornaram públicas, e você não pode deixar de simpatizar.

MD: O que os Barbers passam, é claro que eles não podem fazer as coisas que normalmente fariam. Aquilo os ostraciza completamente na sua comunidade e os tranca em sua própria bolha.

Chris, você atuou como embaixador local da produção na área de Boston e até hospedou todos em sua casa. Como foi abrir sua casa dessa forma?

CE: Para desânimo da companhia de seguros, eu morava bem na esquina, então era fácil reunir todo mundo e compartilhar algumas bebidas depois de gravar. Parecia um trabalho de nove a cinco para mim. Eu me senti como uma pessoa normal por um tempo! Eu pude dormir na minha cama, ver minha família nos finais de semana e enfrentar o trânsito. Foi ótimo.

MD: É tão importante reunir todo mundo, sair e fazer algo fora do trabalho. Fomos jogar boliche em certo ponto. [Risos] Como se chamava, Chris?

CE: Era o Bowladrome. Era muito perto de onde estávamos gravando e virtualmente para baixo da rua de onde eu moro. Tem uma vibração local, nada muito extravagante.

Bem, você tem uma cena de boliche, de modo que poderia ter sido considerado uma pesquisa. Quem é o melhor jogador?

MD: Chris!

CE: Eu sou certamente o jogador mais competitivo. Mesmo que eu tente abordá-lo com uma energia casual, dentro de cinco minutos, eu estou focado e lutando para ganhar.

MD: Acho que me dou melhor no karaokê. Fizemos muito karaokê.

Qual é a sua música?

MD: [Risos] “A Whole New World” de Aladdin.
CE: Sim! Michelle arrasou!
MD: Chris, a propósito, tem uma voz brilhante. É uma coisa tão ótima ir para o trabalho e ficar tipo, “Oh meu Deus, foi incrível quando você cantou aquela música”.

CE: Eu nem sempre tenho coragem de pegar no microfone – eu geralmente tenho que beber quatro ou cinco [bebidas], um pouco de coragem líquida. E eu só reuno as tropas e chamo todo mundo pra participar.

Esse tipo de conexão claramente ajudou. Como seus relacionamentos de trabalho ajudaram vocês a descobrir seus personagens no set?

CE: Você poderia dizer: “Parecia bom esta manhã, mas por alguma razão, não agora. Talvez devêssemos levar cinco minutos para nos amontoarmos e tentar melhorar.” Felizmente isso não acontecia com muita frequência, mas quando faziam isso, era extremamente eficaz. Muitos desses momentos realmente brilham na tela, especificamente onde eu me lembro, “Aquela cena foi um pouco pegajosa. Agora é uma das minhas favoritos.”

MD: As cenas que exigiam um pouco mais de delicadeza foram as na casa. Chris, você se lembra quando estávamos jantando [no episódio quatro], e Laurie tem um ataque de raiva com o Jacob? Meus instintos eram para ir longe demais, e Morten era muito bom em afinar. É aí que grande parte da química aparece, porque tivemos esse luxo de fazer como uma peça.

CE: Talvez nem todo ator se sinta assim – talvez eu esteja obcecado demais com autopreservação – mas às vezes um ator vai tentar a interpretação segura. Correr riscos consome tempo. Então você precisa de um diretor que vai dizer: “Esta é a sua hora de jogar.” Há muito tempo atrás, um diretor me disse: “É como um tribunal. Qualquer tomada que você dá pode ser usado contra você”. [Risos] Você precisa sentir seguro. Se todos nós temos o mesmo objetivo, então você tem a liberdade de tomar alguns balanços realmente grandes e arriscar perder a bola.

Quais foram alguns dos maiores balanços que você tomou?

CE: As cenas com J.K. [Simmons como Billy, o pai do Andy]. Andy é um homem relativamente taciturno. Quando ele viu seu pai, eu tinha todas essas opiniões de como Andy iria reagir. Infelizmente, muito disso significava se fechar, o que eu pensei que Andy faria como uma postura defensiva. O problema é que isso realmente não deixa o público entrar. Seu instinto pode ser para se fechar, porque parece verdade, mas verdade pode nem sempre ser interessante.

Que cenas você sentiu que descobriu no momento?

MD: A cena na cozinha [no final do episódio sete]. Indo para ela, eu não tinha expectativas. Eu estava tipo: “Ooh, nós temos aquela grande cena chegando!”. Foi incrível como aconteceu. Estávamos apenas ricocheteando um no outro, porque Laurie chegou ao ponto em que ela está convencida de que Jacob fez. Parecia tão real ao fazer, não sei por quê.

CE: Eu sei por quê. É por sua causa! Havia tantos atalhos maravilhosos onde, se você começar a sair do momento, se você recorrer à atuação de piloto automático, você pode simplesmente se apoiar no artista em frente a você. Jaeden é tão bom interpretando aquele adolescente intrigado e confuso. Michelle é tão boa nisso de cambalear à beira de um colapso. J.K. só exala intimidação. E eu posso apenas me concentrar completamente neles e eles vão me trazer de volta.

Chris, você decidiu se queria ter barba?

CE: Eu não quero dizer… Bom, eu vou dizer. Faz muito tempo que alguém me disse que eu era muito jovem para desempenhar um papel! E havia uma chance de que poderia ser um exagero, eu ser pai de um garoto de 14 anos. Se eu estivesse barbeado, poderia ter sido um pouco mais difícil de acreditar, então pensamos que a barba poderia me envelhecer um pouco. Mas sempre terei barba se puder. E quanto a você Michelle? Por que você raspou o bigode?

MD: [Risos] Bem, eu amo…

CE: … você ama ter o seu bigode… Ele te envelhece um pouco demais, na verdade. Seria muito.

MD: [Ri ainda mais]

 

Tradução: João 

Créditos: Chris Evans Brasil 

Fonte: Emmy Magazine

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