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postado por Sara Teles e categorizado como Uncategorized
17.01.2020

O novo projeto do ator, A Starting Point (Um Ponto de Partida), visa dar a todos os estadunidenses um resumo do que diabos está acontecendo na política. O que é mais difícil do que socar nazistas nas telonas.

É uma tarde lânguida de Outubro em uma Los Angeles ensolarada e clara.
Chris Evans, de volta em casa depois de uma cansativa agenda de produção, relaxava no sofá com os pés apoiados na mesa de café. Durante o último ano e meio, o ator experimentou uma identidade após a outra: o espião israelense de cabelos desgrenhados, o playboy barbeado e, em sua estréia na Broadway, o policial de Manhattan com um bigode do Burt Reynolds. Agora, porém, ele se parece com Chris Evans – barba aparada, bíceps monstruosos, aparência angelical. Então é uma surpresa quando ele traz a tona os pesadelos. “Eu durmo, tipo, uma hora por noite”, diz ele. “Estou em pânico.”
O pânico começou, como todo pânico costuma acontecer atualmente, em Washington. No início de fevereiro passado, Evans visitou a capital para apresentar aos parlamentares um novo projeto de participação cívica. Ele chegou poucas horas antes de Donald Trump proferir seu segundo discurso sobre o Estado da União, no qual convocava o Congresso a “superar antigas divisões” e “rejeitar a política de vingança, resistência e retribuição”. (Anteriormente, em um almoço privado, Trump se referiu a Chuck Schumer, o principal democrata do Senado, como um “filho da puta desagradável”.) Evans não é fã do presidente, a quem chamou publicamente de “idiota”, “burro” e “almôndega”. “Mas superar divisões? Pôr fim ao suor frio da política estadunidense?” Esses eram objetivos que ele poderia alcançar.
A sacada de Evans foi essa: ele construiria uma plataforma on-line organizada em seções organizadas – imigração, assistência médica, educação, economia – cada uma com uma série de perguntas do tipo que a maioria dos estadunidenses não conseguem responder de forma sucinta. O que exatamente é uma tarifa? Qual a diferença entre o Medicare e Medicaid? Evans convidaria políticos a responder às perguntas em vídeos de um minuto. Ele próprio conduzia as entrevistas, mas sempre por trás das câmeras. O site seria um lugar para ouvir os dois lados de uma questão, para obter o resumo do que diabos estava acontecendo na política americana. Ele o chamou de A Starting Point (Um Ponto de Partida) – um nome que às vezes continha com entusiasmo e às vezes parecia um pedido de desculpas.
Evans pode não ter muito jeito com a capital política, mas ele possui uma reputação, talvez não merecida, de patriotismo. Desde 2011, ele apareceu em nada menos que 10 filmes da Marvel como Capitão América, o super-herói matador de nazistas e defensor da pátria envolto em vermelho, branco e azul bipartidário. É difícil imaginar uma época melhor para lucrar com o simbolismo do personagem. A animosidade partidária está em seu auge; uma pesquisa recente do Public Religion Research Institute e do The Atlantic descobriu que 35% dos republicanos e 45% dos democratas seriam contrários ao casamento de seus filhos com alguém do outro partido. (Em 1960, apenas 4% dos entrevistados se sentiam assim.) Ao mesmo tempo, há uma verdadeira crise de fé nos líderes do país. Segundo o Pew Research Center, 81% dos americanos acreditam que os membros do Congresso se comportam de maneira antiética pelo menos uma parte do tempo. Segundo Pew, isso os torna ainda menos confiáveis do que jornalistas e CEOs de tecnologia.
Se Evans acertasse sua sacada, ele acreditava que este não seria um site para crianças pequenas. Ele ajudaria a “criar cidadãos informados, responsáveis e empáticos”. Ele “reduziria o partidarismo e promoveria um discurso respeitoso”. No mínimo, ele “envolveria mais pessoas” na política. E se o site desse errado? Se Evans se tornasse uma piada nacional? Bem, foi aí que os pesadelos começaram.
Foi preciso um soro especial e uma grelha na câmara Vita-Ray para transformar Steve Rogers, um garoto fraco do Brooklyn, no Capitão América. Para Chris Evans, salvador da democracia americana, a história de origem é um pouco menos maravilhosa.
Um dia, alguns anos atrás, na época em que ele estava filmando Vingadores: Guerra Infinita, Evans estava assistindo o noticiário. A discussão na TV era em torno de uma sigla desconhecida – pode ter sido o NAFTA, mas ele acha que era o DACA, ou Ação Diferida para Chegadas de Infância, uma política de imigração da época de Obama que concedia anistia a pessoas que haviam sido trazidas para os Estados Unidos ilegalmente quando ainda eram crianças. O governo Trump havia acabado de anunciar planos de eliminar a DACA, deixando mais de meio milhão de jovens imigrantes em apuros. (A Suprema Corte provavelmente decidirá este ano se o término do programa foi legal.)
Do outro lado da televisão, Evans apertou os olhos. Espere um minuto, ele pensou. O que significava mesmo essa sigla? E foi uma coisa boa ou ruim? “Era algo que eu não entendia”, diz ele.
Evans se considera um político. Agora com 38 anos, ele cresceu em uma família de espírito cívico, do tipo que gosta de gritar sobre as notícias durante o jantar. Seu tio Michael Capuano cumpriu 10 mandatos no Congresso como democrata de Massachusetts, começando na mesma época em que Evans se formou no colegial e se mudou para Nova York para atuar. Durante a eleição presidencial de 2016, Evans fez campanha por Hillary Clinton. Em 2017, ele se tornou um crítico franco de Trump – mesmo depois de ter sido aconselhado a compactá-lo, por risco de alienar os espectadores. Evans poderia ser motorista de caminhão, diz Capuano, e ainda estaria envolvido na política.
Mas assistindo TV naquele dia, Evans estava totalmente perdido. Ele pesquisou a sigla no Google e tropeçou em todas as manchetes em conflito. Então ele tentou a Wikipedia, mas, bem, a entrada tinha milhares de palavras. “É algo interminável, e você pensa, quem vai ler 12 páginas em alguma coisa?”, diz Evans. “Eu só queria um entendimento básico, uma história básica e uma compreensão básica do que as duas partes pensam.” Ele decidiu criar o recurso que queria para si mesmo.
Evans levou a ideia a seu amigo íntimo Mark Kassen, ator e diretor que ele conheceu trabalhando no filme indie Código de Honra, de 2011. Kassen contratou e recrutou um terceiro parceiro, Joe Kiani, fundador e CEO de uma empresa de tecnologia médica chamada Masimo. Os três se encontraram para fazer rolinhos de lagosta em Boston. Eles decidiram que o país precisava de um tipo de Schoolhouse Rock (espécie de TV Cultura estadunidense) para adultos – uma maneira simples e memorável de aprender os meandros da vida cívica. Evans sugeriu trabalhar diretamente com os políticos. Kiani, que havia feito alguns amigos no Capitólio ao longo dos anos, pensou em fazer isso. Cada parceiro concordou em colocar dinheiro para tirar a coisa do chão. (Eles não disseram quanto.) Eles passaram algum tempo pesquisando em canais semelhantes e descobrindo onde se encaixavam, diz Kassen.
Eles começaram estabelecendo algumas regras. Primeiro, A Starting Point daria aos políticos liberdade para responder a perguntas como quisessem – sem edição, moderação ou interjeição. Segundo, eles contratariam verificadores de fatos para garantir que não promovessem informações erradas. Terceiro, eles projetariam um site que privilegiasse a diversidade de opiniões, onde você poderia assistir a uma dúzia de pessoas diferentes respondendo à mesma pergunta de maneiras diferentes. Aqui, porém, absorver as informações seria mais como assistir ao YouTube do que ler superficialmente a Wikipedia – mais como entretenimento do que dever de casa.
O trio juntou uma lista de perguntas para levar ao Capitólio, começando pelas que mais os confundiam. (O colégio eleitoral ainda é necessário?) Eles conversaram com admiração sobre a maneira como os moderadores do debate presidencial conseguem fazer com que seu idioma pareça neutro. (As perguntas devem se referir a uma “crise climática” ou “situação climática”, “imigrantes ilegais” ou “imigrantes sem documentos”?). Evans então gravou um vídeo em seu sofá em Los Angeles. “Olá, sou Chris Evans”, ele começou. “Se você estiver assistindo isso, espero que considere contribuir para o meu novo projeto de compromisso cívico chamado A Starting Point”. Ele enviou o arquivo por e-mail a todos os senadores e representantes no Congresso.
Apenas alguns responderam.
Em retrospectiva, Evans percebe que o vídeo “parecia muito simples” e provavelmente parou na caixa de spam ou foi excluído conscientemente por funcionários do Congresso. “A maioria das pessoas, de ambos os lados do corredor, o dispensou”, diz Evans. Muitos “pensaram que era uma piada”. No entanto, existem poucas portas na vida estadunidense que um maxilar quadrado não possam abrir, principalmente quando ele pertence a um homem com muitos milhões de dólares e quase tantos fãs emocionados no Twitter. Logo, um punhado de políticos concordou em se reunir com o grupo.
Na manhã de sua primeira visita a Capitol Hill, vestindo um terno de vidraça cinza liso e uma gravata de bolinhas preta e penteando o cabelo perfeito da testa perfeita, Evans sentiu uma onda de dúvida. “Esta não é minha pista”, ele se lembra de ter pensado enquanto caminhava pelo labirinto do prédio do Russell Senate Office. Aqui, as pessoas estavam fazendo mudanças reais, afetando a vida de milhões de americanos. “E merda”, Evans disse para si mesmo, “eu nem fui para a faculdade”.
A primeira parada do trio foi no escritório de Chris Coons, democrata de Delaware. “Qual é o senador?” Evans perguntou.
Coons, nunca tendo assistido nenhum dos filmes dos Vingadores, também não sabia quem era Evans. Mas, em pouco tempo, ele diz, foi conquistado pelo charme do ator e pelo sotaque “muito leve, mas ainda perceptível” de Boston. Porém, o que mais atraiu Coons – o que o levaria a distribuir cartões de bolso no Senado para recrutar outros, especialmente republicanos, para participar do projeto – foi o quão renovador era ser perguntado sobre coisas simples: Por que devemos apoiar as Nações Unidas? Por que a ajuda externa é importante? Coons viu um valor real ao tentar explicar essas coisas, de maneira simples e clara, aos seus constituintes.
“Olha, eu não sou ingênuo”, diz Coons. Ele é o primeiro a admitir que vídeos de um minuto não corrigem o que há de errado na política americana. “Mas é importante que haja tentativas de educação e divulgação cívica”, acrescenta. “E, você sabe, o personagem fictício dele (Capitão América) lutou por nossa nação em um momento de grande dificuldade.”
Evans endurece um pouco quando as pessoas mencionam o Capitão América. A comparação de super-heróis é, reconhecidamente, um pouco óbvia. Mas, repetidamente, no Capitólio, o truque se mostrou útil: às vezes é melhor ser o Capitão América do que um ator da elite liberal de Hollywood que defende Roe v. Wade (decisão judicial que permitiu o aborto nos Estados Unidos) e deseja proibir armas. Quando Evans conheceu Jim Risch, o senador republicano de Idaho brincou sobre atualizá-lo sobre a OTAN, “já que ele perdeu os 70 anos após a Segunda Guerra Mundial”. Quando conheceu o representante Dan Crenshaw, um republicano do Texas e ex-SEAL (força tarefa especial) da Marinha que perdeu o olho direito no Afeganistão, Crenshaw levantou o tapa-olho para revelar uma prótese de vidro pintada para se parecer com o escudo do Capitão América.
Eventualmente, Evans se soltou – pelo menos ele perdeu o nervosismo. Desde a primeira rodada de visitas, ele e Kassen retornam a Washington a cada seis semanas, coletando mais de 1.000 vídeos de mais de 100 membros do Congresso, juntamente com cerca da metade dos candidatos democratas em 2020. Evans conduziu todas as entrevistas ele mesmo. Enquanto isso, Kassen gerenciava a aquisição de uma startup de compressão de vídeo em Montreal. Cerca de uma dúzia de engenheiros da empresa está construindo um sistema de gerenciamento de conteúdo personalizado para o A Starting Point, que deve entrar em operação em fevereiro. Eles também estão realizando testes de banda larga – no caso, como Kassen se preocupa, de “todos na platéia de Chris assinem no primeiro dia”.
“Temos que fazer isso agora”, diz Evans. “Está lá fora. Temos que terminar isso. Merda.”
De volta à Los Angeles, Evans acessa o site em seu iPhone. Ele hesita por um momento e cobre a tela com a mão. Ainda é uma demonstração, ele explica, no mesmo tom tímido que ele usa para me dizer que o banheiro de hóspedes está sem papel higiênico.
Na página inicial, há um vídeo de Evans explicando como usar o site e uma aba de “tópicos populares” (energia, escolas charter, Hong Kong). Você pode inserir seu endereço para acessar uma lista de seus representantes e encontrar os vídeos deles; você também pode contatá-los diretamente através do site. O restante é organizado por tópicos e perguntas, com uma matriz de vídeos de um minuto para cada um – democratas na coluna da esquerda, republicanos à direita.
Ainda no início do desenvolvimento do site, Evans e Kassen brigaram pela verificação de fatos. Kassen, argumentando contra, estava preocupado com a ótica: quem eram eles para arbitrar a verdade? Evans insistiu que o A Starting Point só pareceria objetivo se os visitantes soubessem que as respostas foram examinadas de alguma forma. Por fim, a opinião de Evans prevaleceu e eles concordaram em contratar um verificador de fatos de terceiros. Eles ainda precisam publicar seus mais de mil vídeos, então por enquanto estou vendo os primeiros rascunhos. Se eles contiverem falsidades, diz Evans, eles não aparecerão no site.
Kassen me mostrou uma amostra de algumas dessas matérias cruas. Em “O que é DACA?”, encontrei dezenas de vídeos, oferecendo dezenas de diferentes pontos de partida.
Um representante, um republicano cujo distrito fica perto da fronteira com o México, descreve os beneficiários do programa como “1,2 milhão de homens e mulheres que só conhecem os Estados Unidos como sua casa”. Eles estudam, ele explica; eles servem nas forças armadas; todos eles passaram nas verificações de antecedentes.
Outro representante republicano diz: “Então, o DACA é resultado de um sistema de imigração realmente ruim. Estamos vendo um número recorde de famílias atravessando a fronteira porque uma criança é igual a um sinal de presença nos EUA. Tudo certo? Todas essas pessoas vieram, não temos como processá-las, elas estão reivindicando asilo. Acabei de ouvir do Secretário de Segurança Nacional nesta semana, cerca de nove em cada 10 não têm reivindicações válidas de asilo. Isso significa que eles não são exilados políticos – não há perseguição política. OK?”
Essas duas respostas (de políticos do mesmo espectro, no mínimo) ilustram alguns dos dilemas que Evans, Kassen e seus investigadores provavelmente encontrarão. O primeiro representante, por exemplo, diz que existem 1,2 milhão de beneficiários do DACA, quando na verdade apenas 660.000 imigrantes estão atualmente matriculados no programa. O número mais alto é baseado em uma estimativa daqueles que poderiam ser elegíveis, publicada pelo Migration Policy Institute, um laboratório social de Washington. A estatística “nove em 10”, enquanto isso, é uma interpretação vaga dos dados de 2018, que mostra que apenas 16% dos imigrantes que apresentaram uma reivindicação de “medo aceitável” receberam asilo. Mas isso não significa, como o representante implica, que as outras reivindicações não eram “válidas” – apenas que não foram bem-sucedidas. Quase metade de todos os pedidos de asilo dessa época foram julgados improcedentes por razões não divulgadas. Estes são exemplos bastante arrebatadores, mas mesmo as perguntas básicas e de definição estão encharcadas de opinião. O que é o Citizens United? “Uma decisão horrível”, diz um senador democrata em sua resposta em vídeo.
Evans não quer gastar tempo arbitrando políticos. Para ele, A Starting Point deveria agir mais como um banco de dados do que como uma plataforma – retórica que rima com a do Facebook e Twitter, que na maior parte evitou a responsabilidade por seu conteúdo. Ele está apenas hospedando os vídeos, diz ele; cabe aos políticos decidir como responderão às perguntas. Não há seção de comentários nem lista de vídeos recomendados gerada por algoritmos. “Você precisa decidir o que assistir a seguir”, diz Kassen.
Uma das suposições intrínseca ao projeto de Evans – e é uma suposição muito forte – é que a força de sua fama será suficiente para atrair pessoas que, em outros cenários, teriam zero interesse em assistir a uma roda de vídeos de seus políticos eleitos. Este é, segundo todos os relatos, a maioria das pessoas: apenas um terço dos americanos consegue nomear seus representantes no Congresso e aqueles que conseguem, não assistem ao C-Span (TV Congresso). “As celebridades trazem uma capacidade extraordinária de chamar a atenção”, diz Lauren Wright, pesquisadora política de Princeton e autora de Star Power: Democracia Americana na Era do Candidato-Celebridade. Mas Evans, ela diz, “não está seguindo o caminho que muitas celebridades têm, que é: a solução para a política estadunidense sou eu”. Seria uma coisa se Evans estivesse guiando você pelo funcionamento interno do Congresso como um musculoso Virgílio (guia de Dante em A Divina Comédia). Mas por que alguém assistiria a um senador explicar secamente o que é o NAFTA quando podia assistir, digamos, a um vídeo do YouTube de Chris Evans no Jimmy Kimmel?
Sem seu astro principal na equação, A Starting Point começa a parecer desconfortavelmente semelhante às muitas outras plataformas que tentaram combater o partidarismo online. Um site chamado AllSides rotula as fontes de notícias como de esquerda, de centro ou de direita e incentiva os leitores a criar uma dieta de mídia equilibrada com um pouco de cada. Um plug-in de navegador chamado Read Across the Aisle (“Um Fitbit para sua bolha”) mede a quantidade de tempo que você gasta em sites de esquerda, direita ou centrista. O Flip Side se autodenomina um “balcão único para resumos concisos e inteligentes da análise política da mídia conservadora e liberal”.

A idéia implícita – de que haveria um renascimento do envolvimento cívico se pudéssemos arrancar o controle da economia da informação das mãos de ideólogos egoístas e entregar as notícias aos cidadãos de maneira imparcial e sem cortes – é antiga. Em 1993, quando a internet moderna era apenas um brilho nos olhos de Al Gore, Michael Crichton escreveu nas páginas desta revista que estava cansado do “jornalismo polarizado de junk food” propagado pelos meios de comunicação tradicionais. (Isso aconteceu três anos antes da criação da Fox News e da MSNBC; ele estava falando sobre o New York Times.) O que a sociedade precisava, ele argumentou, era algo mais como o C-Span, algo que encorajava as pessoas a tirar suas próprias conclusões.
Mas isso funciona? Não de acordo com Wright. “Temos muitos anos de pesquisa sobre essas questões, e o consenso entre os estudiosos é que a proliferação de opções de mídia – incluindo sites como o de Evans – não aumentaram o conhecimento ou a participação política”, diz ela. “O problema não é a falta de informação. É a falta de interesse”. Jonathan Albright, diretor da Iniciativa Forense Digital no Tow Center for Digital Journalism da Columbia, concorda. “Todas essas iniciativas de verificação de fatos, todo esse trabalho que tenta esclarecer questões ou reduzir o ruído – as pessoas não têm tempo”, diz ele. “Algumas pessoas se preocupam com política, mas essas não são as pessoas que você precisa alcançar.”
Naturalmente, esse tipo de conversa deixa Evans um pouco nervoso. Mas ele se refugia naquilo que vê como os principais pontos fortes do conceito. Por um lado, ele argumenta, vídeos em tamanho de lanche são mais acessíveis que texto. Além disso, esses outros sites contam com um tradutor para interpretar os problemas, enquanto A Starting Point vai direto para a fonte. Não é para os que gostam de política. É para os americanos médios, centristas, extremistas, eleitores indecisos – todo mundo! – que querem ouvir sobre a política diretamente da boca do cavalo. (Não importa que a maioria das pessoas tenha cavalos em maior consideração.)
Evans tem todo tipo de idéias sobre como manter as pessoas voltando. Ele pode adicionar uma seção no site em que os representantes podem enviar vídeos semanais para seus eleitores, ou um local em que formuladores de políticas de diferentes partidos possam discutir compromissos bipartidários. Ele fala sobre essas idéias com um entusiasmo tão puro e tão crível que você quase esquece que ele é um ator. A questão toda, diz ele, é dar aos estadunidenses uma chance de discutir nos tipos de conversas que estão acontecendo no Capitólio. Esse é um programa que Evans está apostando que as pessoas realmente querem ver.
A pior coisa que pode acontecer não é que ninguém assista aos vídeos. Isso seria péssimo, mas Evans poderia lidar com isso. O que mais o irrita é pensar no que ele pode ter deixado de considerar. E se o site acabar promovendo uma agenda bizarra que ele nunca pretendeu? E se as pessoas usarem os vídeos para algum tipo de finalidade distorcida? “Um erro de cálculo”, diz ele, “e você pode não voltar aos trilhos.”
Evans sabe que sua idéia de salvar a democracia pode ser um pouco Pollyanizada, e se ela fracassar, será sua reputação em jogo. Mas ele realmente, realmente acredita nisso. OK, talvez isso não salve os Estados Unidos, mas pode reunir algumas das coisas que foram quebradas. Um novo começo. Um ponto de partida.
“Parece-me que todo mundo sai ganhando aqui. Não vejo como isso se torna um problema”, diz ele, antes que um olhar de pânico cruze seu rosto, a ansiedade se instalando novamente.

Tradução: Amanda Gaia

Créditos: Chris Evans Brasil

Fonte : Wired / Arielle Pardes

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