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Arquivo de 'Entrevistas'



11.09.2015
postado por Flávia Coelho e categorizado como Entrevistas

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TORONTO – Com o seu novo filme “Before We Go” Chris Evans é ator e diretor. Na última semana, nós pedimos aos leitores o que queriam perguntar ao Sr Evans, que estará na première de Quinta de seu novo filme. Ele sentou-se conosco para responder um número selecionado de perguntas sobre sua vida e carreira. Aqui estão as respostas:

Q. Então, você expressa muito como o teatro fez parte da sua família e como isso te formou/inspirou para continuar atuando. Você consideraria fazer uma produção na Broadway ou fora? – Marisa, Mount Vernon, NY.

A. Sim, com certeza. Eu gosto de novas coisas. Essa é uma das partes que gosto de dirigir. Gosto de criar coisas. Sou de Gêmeos. Estou sempre a procura de algo novo. E certamente sinto falta do teatro. Então quem sabe o que o amanhã trará?

 

Q. Há um tipo de personagem ou filme que você ainda não explorou e o que seria um desafio para você? – Joane Lamoureux, Montreal.

A. Sempre quis interpretar alguém que fosse muito verbal. Eu realmente gosto de pessoas que tem o dom de falar. Gosto de personagem que são muito eloquentes, articulados e confiantes no que estão dizendo. Especialmente vindo de Capitão América, que é muito fechado e intimidador. Eu adoraria interpretar alguém que usa suas emoções como uma culpa.

 

Q. Minha questão para você é do meu filho de 13 anos, Ryan. Ele está muito envolvido numa peça da sua escola para seu terceiro ano. Ele ama, mas toda as vezes que começam os diálogos ele fica nervoso e quieto e vermelho. Mas as próximas linhas ele fica dinâmico. Somente a primeira linha que o pega. Qual conselho você daria a ele para que esse primeiro momento de nervosismo passasse? – Ally Woods, Fort Worth.

A. Se você começar a se importar muito com a primeira linha estará com problemas. Para mim, eu tento e diluo a experiência inicial. Então se faço coisas que gosto como um programa de TV, nos bastidores eu tento encontrar a conversa com as pessoas e iniciar um comportamento, tudo é requerido de mim no palco, antes de entrar.

 

Q. Qual foi o personagem mais desafiador que você interpretou? – Dani, Cardina, Brooklyn.

A. Eu diria Capitão América porque ele não é como eu. Sou muito correto e solto. Muito honesto. Sou bem aberto. Capitão América é muito fechado. Ele luta em algumas situações. Eu também luto em algumas situações. Mas na maioria das vezes, eu acho a paz sendo agressivamente honesto. Acho que Steve Rogers não está no caminho.

 

Q. Como diretor, como você sabe quando o script está pronto para filmar? – Deanna Salas, Chico, Calif.

A. Você nunca sabe. A coisa engraçada sobre dirigir é que você que ter suas próprias opiniões, mas é uma colaboração. Dirigir é um esforço em grupo. Mesmo quando você pensa que algo pode dar certo, a coisa mais inteligente que você pode fazer é tentar e estar aberto para opiniões de pessoas que estão ao seu redor.

 

Q. Qual filme que você tenha atuado que está na sua lista de queria ter dirigido? – Emily Wright, UK.

A. Talvez “London”?Eu fiz um filme chamado “London”. E não desrespeitando Hunter Richards. Eu amo o Hunter. Mas foi um daqueles filmes que eu respondi como ator e eu adorava o elemento verbal. Na minha cabeça, eu tinha uma forte interpretação de como eu pensava onde o filme iria. De novo, não por que eu achava que Hunter havia feito algo errado, mas porque eu tinha uma conexão profunda com o personagem e o diálogo e isso deve ser uma experiência engraçada para explorar como diretor.

 

Q. Você gostou do processo de dirigir e qual foi o seu momento mais memorável? – Caprice Phillips, Little Rock.

A. Eu diria que o primeiro dia de filmagens e vendo o quadro com o nome nele. Dizendo “ação” e dizendo “corta”. Foi maravilhoso e intimidador.

 

Q. Quais histórias pequenas que pegaram a sua atenção como material que você godtaria de dirigir vs o material que queria atuar? – Michelle Buchman, Boston.

A. Eu gosto de histórias humanas. Gosto de histórias sobre situações que nós podemos nos relacionar. Gosto de filmes como “Pessoas Ordinárias” ou “Laços de Ternura”. Mães e filhas, pais e filhos, namorados e namoradas. As histórias para mim que valem a pena são as mais simples, mas muito relacionáveis.

 

Q. A experiência de dirigir é mais libertador ou mais aterrorizante do que atuar? – Natalie Foote, Reading, UK.

A. Os dois. Está além de aterrorizante. Há um milhão de razões para ser de dar medo. Mas é inacreditavelmente libertador porque é o seu projeto. Todas as decisões estão ligadas a você.

 

Q. Qual é a sua cena favorita do filme? – Eva Y., Germany.

A. Bem, sem estragar muito, eu gosto da nossa cena final junto. É mais fácil de entender do que o filme diz e mostra a bela relação entre os personagens.

 

Tradução: Sammy Martins.

Créditos: Chris Evans Brasil.

11.09.2015
postado por Flávia Coelho e categorizado como Entrevistas

Há algo muito aterrorizante no mundo do cinema quando se trata de dirigir seu primeiro longa-metragem e liberá-lo para que um bom número de pessoas possam assisti-lo. Esse medo se multiplica em vários graus quando você já é um grande astro do cinema. Esse é o cenário em que Chris Evans se encontra com “Before We Go”. O filme – que estréia no Festival Internacional de Filmes de Toronto deste ano – conta história de um jovem casal em Nova York.

Quando Abby (Alice Eve) é roubada e perde o trem de volta para Boston, ela se encontra presa na cidade, sem dinheiro e sem ninguém para pedir ajuda. Por sorte, ela conhece Pete (Chris Evans), um músico batalhador que decide ajudá-la e levá-la de volta para casa. Eles acabam passando o resto da noite vagando ao redor da cidade, discutindo suas vidas e relacionamentos.

Pode parecer estranho que um homem mais conhecido por seu trabalho em filmes de super-heróis escolheu uma comédia romântica para sua estreia como diretor. No entanto, como explicou Evans durante a nossa entrevista, ele é um grande fã do gênero e respondeu bem ao roteiro, que foi escrito por Ron Bass, mais conhecido por escrever o roteiro de “Rain Man”.

Evans está animado por ver que o produto final está finalmente começando a fazer o seu caminho na frente do público. (O filme foi rodado em dezembro do ano passado, antes de Evans começar a filmar a sequencia de “Os Vingadores” – “Os Vingadores: Era de Ultron” – que estreia mundialmente em 2015.)

Abaixo, Evans falou sobre quando ele decidiu que queria dirigir um filme, o quão difícil foi filmar em Nova York, e como se sentiu voltando a atuar depois que ele terminou de dirigir “Before We Go”.

Parabéns pelo filme. Estou certo que dirigir seu primeiro longa-metragem pode ser um…

[Faz barulho de vômito] Obrigado, cara.

Realmente é intimidante estar falando sobre isso, porque eu estou tão acostumado a ser um ator, onde seu trabalho é apenas uma parte do quebra-cabeça.

A carga não fica sobre você.

É. É tipo, eu fiz o meu trabalho. Se eu não gostarem do filme, não é culpa minha. Mas, desta vez, se não gostarem do filme, será minha culpa [risos].

Você fez diversas sessões de teste para este filme. Como foi isso pra você? Eu presumo que não são divertidas, especialmente para um diretor estreante.

Eles (as pessoas) foram bem (no teste). Mas é emocionalmente desafiador. Você tem que fazer uma leitura completa das coisas, algo que faça você ficar tipo “Oh Deus! Isso é ótimo!”. Estou certo de que todos os filmes que fiz teve várias sessões de teste. E eu tenho certeza que já foi escrito muita coisa horrível sobre mim nesses testes. Mas, estar do outro lado e fazer um processo assim é complicado. Você tem que ver os atores por completo, analisar direito e isso é difícil.

Quando foi que você decidiu que queria começar a dirigir?

Eu diria que desde sempre. O que pode não ser a declaração mais precisa…

Antes de atuar?

Não, não. Não antes de atuar. Eu vou dizer inicialmente que atuação foi o meu primeiro amor e isso é o que eu sempre persegui. Mas no meu primeiro dia em um set de filmagens, eu fiquei observando como as coisas eram criadas. Eu apenas disse: “Eu acho que eu quero estar no comando”.

Eu sou um pouco de um maníaco por controle. E quanto mais filmes eu fiz, mais experiências tive como ator, eu fui vendo como funcionava e depois que você termina o seu trabalho, você vai embora e só depois de seis… de oito meses você vê o produto final. E um monte de vezes para mim, foi como: “Não, não é isso que eu pensei que ia ser”.

Porra! Isso é decepcionante. Eventualmente, eu cheguei a um ponto em que eu queria assumir o controle, porque eu leio o roteiro e eu gosto de imaginar o filme em minha mente. Você aceitar fazer um trabalho e só ver o produto final é muito diferente de fazer um filme. E em situações como essa (de só ir atuar e depois ver o produto final) você pensa: “Cara, eu acho que se eu estivesse no comando eu poderia ter feito um filme melhor.” Isso obviamente é uma coisa MUITO arrogante de se dizer, então você só pensa. Até porque a dificuldade de se estar à frente de um filme é muito grande.

Bem, você também precisa de alguma arrogância se você quer ser um diretor.

Sim, você precisa de arrogância em qualquer empreendimento criativo.

Exatamente.

É. Eu só cheguei a um ponto em que parte de mim pensa que eu poderia contar uma boa história. Mas mais do que isso, eu tenho fome para algo diferente. Eu só queria tentar algo diferente. Mesmo crescendo como ator, eu sempre gostei de criar coisas em qualquer área. Seja construindo alguma coisa em casa, escrevendo uma música ou fazendo um desenho.

E atuar é como jogar um esporte. Você pode fazer isso diversa vezes, mas é algo intangível. Então, quando ele (o filme) está pronto, não há realmente nenhum produto tangível para você, porque alguém está capturando tudo aquilo e transformando em algo tangível, não você.

Enquanto você está atuando essa experiência é maravilhosa enquanto está acontecendo. Mas depois que acaba e você vai embora, alguém se encarrega de transformar isso em algo. E mesmo quando você assiste o filme mais tarde, você fica tipo: “Ok, eu acho que eu fiz esse personagem”.

Gosto da sensação de fazer as coisas. É muito, muito gratificante. E o cinema te dá esse tipo de experiência, você é forçado a colaborar com tantas pessoas. Quando é algo seu você está envolvido do início ao fim, você está envolvido com tantos elementos, e quando acaba, você fica com a sensação de: “Eu fiz esse filme”.

Seu personagem no filme é um trompetista. Você sabe como tocar trompete agora?

Não, eu sou um lixo. Que porra de instrumento difícil!

Você fez um bom trabalho dublando ele no filme!

Sim [risos] nós literalmente contratamos um trompetista e nós demos algumas músicas para ele tocar. Filmamos seu dedilhado. Então eu memorizei seu dedilhado. Eu estava tipo: “eu vou fazer o dedilhado com precisão”. Porque a ideia inicial era que eu realmente tocasse e… shhhhh. Eu sou péssimo! E eu realmente tentei, mas soou como um gato morrendo.

Outra observação: Eu não sou um fã de Boston, em nenhum dos meios esportivos, mas eu sempre aprecio quando um diretor é capaz de fazer tão bem uma referência para a sua equipe favorita, como você faz com o título do Red Sox no filme. (nota do CEBR: Red Sox é um time de beisebol da MLB – Major League Baseball – liga profissional de beisebol dos Estados Unidos. O Chris é torcedor desse time e o Red Sox foi campeão da MLB em 2013)

[Sorri e começa a bater palmas] Você tem que apreciá-los!

Então… Nova York não é exatamente o melhor lugar para filmar, particularmente em sua estreia como diretor.

Defiitivamente não. Esse foi o nosso maior desafio. Se eu quiser continuar dirigindo, já avisei para a mim mesmo que: “Na próxima coisa que eu fizer, não será em Nova York”.

Porque o problema com Nova York – E eu amo Nova York, é um belo lugar – é que é muito grande e caro.

Fomos filmar no Grand Central [Estação de Trem] e lá é enorme. Tivemos dois dias disponíveis para filmarmos lá, então filmamos o início e o final do filme nesses dois dias de filmagens. E foram meus primeiros dois dias dirigindo! E meus produtores deixaram bem claro: “Temos dois dias! É melhor você conseguir tudo o que você precisa!”. Então você fica estressado pra porra. Filmamos durante 19 dias seguidos em alguns pontos da cidade. Seria bom ter um pouco mais de tempo, seria bom ter um ambiente onde todos os dias não fossem tão caros. Foi tudo muito caro. Se não gravássemos tudo que era planejado para o nosso dia em Nova York, iríamos começar a ultrapassar o orçamento. Portanto, no meu projeto seguinte seria maravilhoso filmar em algum outro lugar, tipo, sei lá… Louisiana.

Eu li que você fez a primeira edição deste filme no iMovie.

É. Bem, em primeiro lugar, o iMovie é foda, é fenomenal! Terminamos o filme antes do Natal, eu deveria começar a edição em meados de janeiro, só que acabei tendo que deixar para meados de março. Então, nós tivemos oito semanas para editar. E eu tinha alguns produtores que foram simpáticos comigo, e eles me falaram: “Escuta, é um período muito curto de tempo. Você está pronto para correr?” E eu: “O que? Eu vou fazer essa merda.”

É a sua visão, você pode muito bem editar da forma que achar melhor.

Sim, é isso mesmo. Eu fui no YouTube e literalmente procurei “Como usar o iMovie”, lá. Eu aprendi a usar o iMovie na porra do YouTube! E, na verdade, não foi tão difícil. Eu conversei também com um dos editores do filme através do Skype, e ele é um grande cara. Me ajudou muito.

Enquanto filmava a sequencia de “Os Vingadores” Joss Whedon te deu alguma dica?

Não, ele não deu dicas. Nenhum diretor pode dar dicas. É como perguntar o que fazer a um ator. Não dá para dar dicas. Porque você não pode dar dicas de como atuar para alguém. Você pode dar dicas sobre como se comportar em cena. Então, eles não poderiam me dizer como direcionar. Edgar Wright é um bom amigo meu e ele me disse: “Ouça, busque um aconselhamento. Não esqueça das pessoas ao seu redor e o que eles estão fazendo. Estas são as pessoas que fazem isso para ganhar a vida. Se aproxime deles. Use os seus conselhos. Não deixe seu orgulho transformar essa experiencia em uma ilha [ou seja, não deixe o orgulho te isolar das pessoas, impedir que você aprenda com elas]”.

Foi estranho voltar a atuar novamente logo após ter dirigido um filme?

Hum, sim! Boa pergunta! Ninguém tinha me perguntado isso.

[Risos] Eu tento.

É horrível. Porque você volta e você [risos]… você só percebe quantas discussões teve como diretor e produtor sobre os atores. E de repente você está em “Os Vingadores” e você não está ciente de que você é um ator até que alguém esteja corrigindo o que você faz. E é intimidante, por isso é um pouco complicado voltar ao normal e tentar manter a mesma sensação de confiança.

Como você continua fazendo filmes da Marvel, você não se preocupa com a expectativa do público que aumenta em cada filme e se será atendido o que o público quer?

Bem, felizmente, não é o meu trabalho! Como diretor, quando você volta a atuar, você fica: “Oh tudo o que tenho a fazer é atuar?! Boa sorte para eles! [os diretores] Vou estar no trailer!” Isso é uma coisa boa de estar só atuando. Eu não preciso me preocupar com isso. Claro que, obviamente, eu me importo, mas quando você está fazendo um filme tão grande quanto “Os Vingadores”, há um grande número de pessoas na equipe do filme que estão muito preocupadas com essas expectativas do público, porque esses filmes são feitos para satisfazer o público. E em filmes assim, você praticamente não quer ficar no caminho.

É uma máquina enorme.

Sim, é uma máquina enorme. E se você começar a ficar no caminho e dizer: “Bem, é isso que eu quero!”, sem fazer um levantamento do que o público quer, eles [a indústria cinematográfica como um todo] te dizem: “Cale a boca!”. Eles sabem o que estão fazendo, e seu trabalho é apenas para executar tudo o que lhe pedem.

Tradução: Sonia Cury.

Créditos: Chris Evans Brasil.

11.09.2015
postado por Flávia Coelho e categorizado como Entrevistas

O ator fala sobre seus códigos morais, sua amizade com Thor e sua preparação para Guerra Infinita.

A liderança de Vingadores: Era de Ultron se parece com a coisa mais falada da vida de Chris Evans. Interpretando o Vingador líder nobre e dono do escudo foi a parte fácil: de acordo com a estrela, um dia de 14 horas no set de Era de Ultron resulta em apenas sete horas de trabalho válido. Mas é a divulgação para imprensa – um esforço global para lembrar o público que a Marvel permanece como a rainha da temporada de verão (norte do mundo) – que o incomoda. Felizmente, Evans é um soldado. Durante um momento num evento de fãs no Estúdio Samsung Galaxy em Nova York, nós encontramos o ator todo composto, amigável e com sede de um suco de frutas, o que ele pediu com um sorriso. Se esse cara tivesse fadiga, ele não apareceria enquanto Vingadores dominasse a bilheteria norte-americana.

O que nos faz perguntar: é preciso ser um Steve Rogers na vida real para interpretá-lo na tela? Para descobrir, nós fizemos uma conferência da vida de Evans com as características do Capitão América.

Evans compartilha da mesma moral de Steve: verdadeiro
Você espera ver algumas qualidades de Steve em você. Ele deixa o nível muito mais alto. Toda vez que você faz um filme onde você está num certo lugar por um longo período, é difícil não pegar um pedaço para você. Algumas vezes é melhor do que outras. Se você acabar levando um pouquinho do Steve para casa com você, isso não é a pior das coisas. É quase como crescer com meu pai. Sempre que havia um conflito, seja entre um amigo ou uma namorada, ou profissionalmente, você pensaria, ‘O que meu pai faria nessa situação?’ Numa posição estranha e similar, você meio que diz a si mesmo, ‘O que Steve faria nessa situação?’, porque seus valores morais e sua abordagem para resolver conflitos, baseado em generosidade é um lugar muito saudável para começar. Eu nem sei se ele tem boas maneiras – ele é apenas um homem bem generoso. Você entende o que eu quero dizer? Ele não reclama, se coloca em último lugar, ele apenas faz o que é preciso que ele faça.

Ele vive pelas regras ‘sem palavrões’ do Capitão: Falso
Eu realmente tenho uma boca bem suja. Eu sou de Boston. Esse é o tipo de estilo de vida lá. Eles são pessoas bem expressivas.

Quando ele não está trabalhando, ele revive seus bons tempos: Verdadeiro
Eu sou muito nostálgico. Quero dizer, eu vivo do passado como uma falha. Você tem que se manter no presente. O passado é passado, mas se você analisar demais ou tentar repeti-lo, será horrível. Eu tive uma adolescência maravilhosa e eu amei cada minuto, então eu realmente me apego a isso. Ao crescer, eu realmente gostava de Star Wars. Teria sido bem legal ter conhecido Han Solo. Mas minhas coisas eram muito pequenas. Eu assistia ao Pernalonga.

Ele foi feito para sobreviver a um ataque iminente: Falso
Eu nunca levei um soco, felizmente. Algo me diz que Steve aguentaria isso melhor do que eu.

Vermelho, branco e azul são suas cores favoritas: Verdadeiro
Você sabe, é tão infeliz – elas são as minhas três cores favoritas para vestir. Umas duas vezes, por acidente, eu fui me vestir e quando dei o primeiro passo na rua, eu fiquei, ‘Espere um pouco. Não posso vestir isso. Vestir calças azuis, camiseta branca e boné vermelho. Isso é um pouco ridículo. Eu provavelmente vou me trocar’.

Tecnologia o assusta: Falso
O que as pessoas faziam antes dos celulares? Liam um livro? Se eu estou preso no carro e não tenho meu celular, eu fico, ‘O que estou fazendo?’ Corridas de carro costumavam ser uma das minhas coisas favoritas. Se estou com meu celular, estou geralmente lendo alguma coisa sobre esportes ou alguma coisa estranha sobre ciência. Eu sou um grande fã do espaço. Eu gosto de astronomia. Há sempre algo acontecendo.

Thor é seu melhor amigo: Verdadeiro
Oh, sim, Chris Hemsworth é como um irmão a esse ponto. Nós temos uma trajetória semelhante, no mínimo, em relação a ser introduzido nesse mundo. Nós dois pegamos esses papeis de super-heróis da Marvel. Nós dois somos tímidos e nervosos e não sabemos como as coisas vão funcionar. Tem sido legal compartilhar isso com ele. Nós também temos nossos filmes solos, o que pode ser um elemento de pressão e ansiedade, e ele tem me ajudado bastante. Apenas ter alguém que passa pelas mesmas dificuldades como eu.

Toda aquela história de ‘aventura solo’ não o afeta: Meio verdadeiro
O primeiro filme foi o mais intenso, porque você não sabe como o personagem será recebido, você não sabe como você será recebido ao interpretar o personagem. No segundo, há menos pressão, mas novamente, você não quer ser a parte fraca da corrente. A Marvel tem uma reputação de fazer filmes de qualidade, você não quer ser o ruim. Mesmo os seus piores filmes são melhores que qualquer outro estúdio faria. Só pode ser ruim para a Marvel.

A vida dele está planejada até 2019: Verdadeiro
Você sabe, você se planeja todo de acordo com as responsabilidades com a Marvel. Você tem que fazer isso. Nós começamos Capitão América: Guerra Civil em algumas semanas, e depois as filmagens vão até agosto, algo assim. Agosto ou setembro. Então, eu tenho um tempo de folga e eu posso fazer o que quiser. Eu não sei se quero tirar uma folga ou seguir com outro projeto de direção ou encontrar um filme para atuar ou, você sabe, fazer qualquer coisa que eu me sinta inclinado criativamente a fazer ou esperar, relaxar, aproveitar a vida. E depois começamos a filmar Guerra Infinita, eu acho, algo no segundo semestre. Outono ou inverno de 2016. E serão nove meses de filmagens dos dois filmes.

Ele está acompanhando a cultura pop assim como o resto de nós: Verdadeiro
O último filme que eu vi: Birdman. Amei. Me ajudou bastante. Algumas vezes nos negócios, é fácil se sentir que você é o único que está enfrentando essas dificuldades ou que você é o único com ansiedade e inseguranças. É um negócio arriscado, uma coisa bem mental. Atores, em geral, são bem mentais. Então, ver um filme tão lindo trazendo à vida uma pessoa que está lutando contra tudo isso que eu mencionei… faz sentir como um grupo de apoio. Foi legal. Foi legal relacionar a algo assim.

Tradução: Tássia Cintra.
Créditos: Chris Evans Brasil.

11.09.2015
postado por Flávia Coelho e categorizado como Entrevistas

Chris Evans, como outros muitos atores no Festival de Toronto deste ano, está aqui para promover a última novidade de sua carreira: ser diretor. É um papel que ele não está assumindo de leve e um que ele espera poder focar assim que seu dever como Capitão América finalmente se encerrar… em 2017.

Para sua estreia, o acessível ator, que agora está apresentando uma barba pós-Capitão, escolheu propositalmente um simples projeto: o filme Before We Go (Antes de irmos, tradução literal), escrito originalmente em 2007 e previsto para ser lançado na sexta-feira. O filme é centrado em dois personagens que se encontram de forma não tão fofa durante uma noite muito longa na cidade de Nova York. Pense em Antes do Amanhecer (Before Sunrise) sem as discussões intelectuais.

Evans estrela o filme também juntamente com Alice Eve (Star Trek – Além da Escuridão), e a simples narrativa deu ao ator de 33 anos a oportunidade de aprender a linguagem de dirigir num ambiente contido.

“Eu precisava de algo simples, fácil de administrar e isolado. E eu gosto desses filmes de qualquer forma”, ele diz, entre um monte de almofadas num dos lugares aleatórios para entrevistas do corredor principal do festival. “Quase parece uma peça de teatro. Eu gosto de coisas que possuem um número limitado de pessoas, um tempo definido. É quase como Neil LaBute.”

E como LeBute, Evans já está se preparando para uma reação dividida diante do filme, que estreará ao fim do festival. Ele e seus produtores já têm presenciado outras exibições e estão preparados para que nem todos os membros da plateia amem o final ambíguo da história.
“Você sabe quantas discussões eu tive com meus produtores que insistiam em querer outro final?”, ele pergunta. “Eu preferiria ter o público indo para casa e discutindo o quão único é e o que o amor significa do que eles irem para casa se sentindo confusos e sem graça.”

A persistência de Evans apesar de tudo será bem-vinda assim que ele assume esse novo desafio na sua carreira – um que ele pretende focar de vez assim que os próximos dois filmes da Marvel, Capitão América 3 e Os Vingadores 3, estiverem completos. (O trabalho dele em Os Vingadores 2 está completo).

“A única coisa que estou persistindo agora são projetos de direção”, ele disse, afirmando também que ele pretende que o segundo projeto seja mais ambicioso. “Quem sabe, em cinco, dez anos, eu possa sentir falta de atuar e queira fazer isso, mas por agora, eu realmente, gosto muito de dirigir, e eu adoraria continuar fazendo isso.”

Tradução: Tássia Cintra.
Créditos: Chris Evans Brasil.

11.09.2015
postado por Flávia Coelho e categorizado como Entrevistas

O consumidor de Bud Light de 30 anos, estrela d’Os Vingadores é percebido como um cara dos caras. Apesar de sua personalidade de ‘bro’, é um estudante sério do Budismo, um fã de música e dança, e um cara que fala com a mãe sobre sexo. E peidos.

“Nós deveríamos apenas matá-lo e enterrar seu corpo?” Chris Evans está sussurrando ao ver a luz piscante do meu gravador.

“Chris!”, grita sua mãe, seu tom é familiar a qualquer um com uma mãe, um misto de carinho e preocupação. “Não diga isso. E se algo acontecer?”

Nós estamos no apartamento de Chris, um loft espaçoso, mas não exagerado, de um cara solteiro, numa região semi-industrial de Boston, meio que Chinatown, próxima a uma área que também é chamada de Zona de Combate. Evans tem um aspecto ‘eu dormi com essas roupas’, meio confuso e solto, quase irreconhecível se você apenas o conhecesse pelo seu estilo certinho e bem alinhado do heroi na tela. Seu cão, East, um dócil e carinhoso bulldog americano, está esparramado num sofá em frente à TV. A geladeira está com um estoque quase mundial de Bud Light e um pouco mais.

No balcão, há algumas embalagens de whey-protein que pertence ao companheiro de quarto de Evans, Zach Jarvis, um antigo amigo que às vezes faz o serviço de assistente pessoal e personal trainer, que o ajudou a treinar e ganhar corpo para seu papel de super patriota no último bockbuster do verão, Capitão América: O Primeiro Vingador. Um relógio gigante está pendurado na parede, e indica que é quase noite, mas Evans trabalha com sua própria noção do tempo. Entre as festas e sua agenda de compromissos, que realmente se traduz em grandes períodos de tempo sozinho durante o dia e uma vida social agitada à noite para um cara de 30 anos.

“Eu apenas poderia fazer isso desaparecer”, diz Josh Peck, um outro amigo e assistente ocasional, num murmúrio no gravador, que eu deixei em cima da mesa enquanto eu estava no banheiro.

A mãe de Evans, Lisa, agora fala diretamente ao microfone: “Não dê ouvidos a eles – estou tentando impedi-los de dizer esse tipo de coisa!”

Mas não dizer essas coisas não está no DNA de Evans. Eles são como um clã infeccioso. Irlandeses-italianos, orgulhosos de serem de Boston, unidos e um pouco teatrais. “Nós todos atuamos, nós cantamos”, Evans diz. “É como os Von Trapps.” A mãe era uma dançarina e agora dirige uma escola de teatro para crianças. A primogênita, Carly, dirigiu um espetáculo familiar de fantoches e estudou teatro na NYU. O mais novo, Scott, faz aparições em One Life to Live e Law & Order e vive em tempo integral em Los Angeles – algo que Evans abandonou há alguns anos. Fechando o círculo, tem a irmã caçula, Shanna e uns amigos que a família adotou e levou para a casa em Sudbury, Massachussets: Josh, que deixou de cortar a grama e se mudou para dentro de casa quando seus pais se mudaram durante o último ano do ensino médio; e Demery, que foi companheiro de quarto de Evans até recentemente.

“Nossa casa era como um hotel”, Evans diz. “Era como a casa dos Loony-tunes. Se você se metesse em confusão na escola, todo mundo sabia: Liga pra Sra. Evans, ela vai te ajudar.”

Ao crescer, eles tinham um piso especial no porão onde as crianças praticavam aula de sapateado. A sala de festas também tinha uma mesa de ping-pong e uma entrada separada. Essa era a casa em que todas as crianças da vizinhança queriam ir e esse era o tipo de família por quem você queria ser adotado. Passar uma tarde ouvindo-os falar coisas sujas e um falando na frente do outro e fica fácil entender o por quê. Agora eles estão preocupados se eles disseram algo demais, se revelaram algo a mais sobre a alma do ator por trás do uniforme de super-heroi, então há esse papo em off. Eu consigo ouvir tudo isso do banheiro, que é claro, é um ótimo lugar para se ouvir sussurros.

Para esclarecer, ninguém disse nada além da conta, e quanto mais você abraça essa união deles, que é engraçada, sem pudor e que demonstra todo o amor dessa família estendida, mais viável e adorável toda essa dinâmica se torna.

Um pequeno exemplo do almoço de hoje num restaurante típico de família italiana:
Mãe: Quando ele era uma criança, ele me perguntou: ‘Mãe, alguma vez eu vou pensar que soltar puns não é engraçado?’
Chris: Você está me jogando embaixo do ônibus, mãe. Obrigado.
Mãe: Bem, se um cachorro soltar um pum, você ainda acha engraçado.
Então de volta ao apartamento, quando a Sra. Evans tenta me contar algumas histórias do filho sem que ele enlouqueça:
Mãe: você sempre me diz quando acha uma garota bonita. Você me liga todo animado. Isso posso dizer?
Chris: Nada errado com isso.
Mãe: E posso dizer que as garotas que você trouxe para casa têm sido muito doces e incríveis? Claro, essas são as que chegamos a conhecer. Tem um bom tempo, não tem?
Chris: Booooooooooooooooom tempo.
Mãe: A última que conhecemos? Foi, o que, há seis anos atrás?
Chris: Sem nomes, mãe!
Mãe: Mas ela botou pra fora no parque.
Chris: Ela ficou bêbada e vomitou na casa da Tia Pam. E depois ela vomitou no caminho de volta e na nossa casa.
Mãe: E foi assim que eu me encantei com ela. Porque ela era verdadeira.

Nós estamos operando num sistema sem nomes, então eu não pergunto se é Jessica Biel a garota que causou essa memorável primeira impressão. Ela e Evans foram um casal sério por anos. Mas eu realmente não quero uma imagem da adorável Jessica Biel passando mal na casa da Tia Pam ou no carro, ou, pra ser sincero, em lugar nenhum.
East, o cachorro, vai para em cima da mesa, implorando por comida. “Aquele cachorro é o amor da vida dele”, Sra. Evans diz. “O que me diz que ele será um pai incrível, mas eu não quero que ele se case por agora.” Ela se vira para Chris. “Do jeito que você é, eu não acho que ainda está pronto.”

Algumas outras coisas que aprendi sobre Evans pela sua mãe: ele odeia ir à academia; quando criança, ele estava tão doente que ela permitiu que ele dormisse durante o jantar; ele sofria ataques nas noites de domingo com os trabalhos escolares; depois que ela e o pai dele se separaram e ele já ganhava dinheiro como ator, ele comprou uma casa pra ela em Sudbury para que ela não deixasse o local.

Uma hora a mãe dele e Josh vão embora, e Evans e eu vamos trabalhar deixando um desfalque no seu estoque de Bud Light. Parece que estamos bebendo Bud Light e conversando por dias, porque é o que basicamente estamos fazendo. Eu cheguei cedo na noite de sexta-feira; é noite de sábado agora e será domingo antes que eu faça meu caminho sonolento para um trem de volta a Nova York. Em algum lugar entre sairmos da órbita gravitacional do loft de solteiro e irmos a uma boate e uma longa caminhada de volta ao apartamento com uma galera, há algo surreal acontecendo, com um grupo cantando, piano tocando e um bate-papo. Evans é legal de se conversar, parte porque ele é aberto, faz piada de si mesmo com uma gargalhada explosiva e sem necessidade de dormir aparentemente, e parte porque quando você vai além da superfície, fica claro que ele não é o cara dos caras que às vezes ele interpreta na tela e em aparições na TV.

A uma distância, Chris Evans, a estrela de cinema, parece previsível e quase que, inevitavelmente, um personagem bem-sucedido que Hollywood apresenta ao mercado. Na sua estreia, ele era um idiota que não sabia que era idiota no filme Não é Mais um Besteirol Americano (numa memorável cena, Evans está com chantilly no peito e uma banana no bumbum). O cara sexy amigo das mulheres – seu personagem em O Diário de uma Babá é apenas chamado de Gato de Harvard – é um equilíbrio do tipo de uma sexta casual, e a camaradagem dos caras de Boston. Seguindo a onda dos filmes adaptados de HQ, ele foi o Tocha Humana nos dois filmes do Quarteto Fantástico. E como o magricela Steve Rogers, o Capitão América encorpou e ganhou uma presença formidável na tela, também desempenhou o papel de protagonista, e tudo levou a’Os Vingadores, o grande blockbuster da temporada, que ele estrela ao lado de Scarlett Johansson, Mark Ruffalo, Robert Downey Jr. e Chris Hemsworth.

Tudo parece inevitável – e quase não aconteceu por pouco. Evans recusou várias vezes o papel de Capitão América, com medo de ficar preso a um contrato de nove filmes. Ele estava filmando Puncture, um filme sobre um advogado viciado, na época. A maioria dos atores fazendo filmes de pequeno orçamento agarrariam a chance de interpretar o protagonista numa franquia da Marvel, mas Evans viu uma década de sua vida na frente dos seus olhos.

O que ele se lembra de pensar foi: “E se esse filme sair e for um grande um sucesso e eu rejeitar tudo isso? E se eu quiser me mudar para o meio da floresta?”
Por ‘na floresta’, ele não quer dizer uma vida quieta longe dos holofotes, uma expressão que é uma metáfora para escapar da rotina. Ele realmente quer dizer na floresta. “Por um longo tempo tudo que eu queria de Natal eram livros sobre sobrevivência na vida ao ar livre”, ele diz. “Eu estava convencido de que eu me mudaria para a floresta. Eu acampava muito, tive aulas. Aos 18, eu prometi a mim mesmo que se eu não vivesse na floresta até os meus 25 anos, eu teria falhado.”

Evans explicou sua hesitação em aceitar o papel em Capitão América. Geralmente ele fala sobre o comprometimento, a perda do relativo anonimato que ele tem mantido. Sobre a pressão do filme, ele estava aberto quanto a precisar de terapia depois que o estúdio reduziu seu contrato para seis filmes e ele aproveitou a oportunidade. O que ele geralmente não menciona é que ele sofreu um ataque de ansiedade antes do trabalho aparecer.

“Eu fico muito nervoso”, Evans explica. “Eu molho a cama se eu tenho de apresentar algo num palco enquanto estou divulgando algo. Porque é só você.” Ele é conhecido por escapar de coletivas de imprensa, congelar e ficar quieto durante esse tipo de coisa relaxada, mas ainda importante em que um ator gralmente é esperado para aparecer. “Você sabe o quão ruim foi minha audição? 50% do tempo eu tenho que sair da sala. Eu sou naturalmente muito pálido, então eu fico vermelho e começo a suar. Então eu realmente tenho de sair da sala. Às vezes, eu fico apenas meias audições. Você começa a ter essas conversas com seu cérebro. ‘Chris, não faça isso. Chris, pegue leve. Você está apenas sentado numa sala com um pessoa dizendo algumas palavras, isso não é a vida. E você está deixando isso te afetar? Que vergonha!’”.

Sombras de desespero de noites de domingo. Com sorte, os nervos não o acompanham no set. “Você tem suas neuroses antes, então quando gritam ‘ação’, você pode estar presente”, ele diz.

Ok, houve um ataque de pânico no set – enquanto Evans estava filmando Código de Honra. “Nós estávamos nos preparando para filmar uma cena no tribunal com um monte de pessoas e eu não sei o que aconteceu”, ele diz. “É só o seu cérebro jogando com você, ‘hey, você sabe como às vezes enlouquecemos? E se isso acontecesse agora?”

Uma das pessoas que aconselharam Evans a aceitar o papel de Capitão América foi seu atual colega de trabalho, Robert Downey Jr. “Eu o veria por lá”, diz Downey. “Nós compartilhamos o agente. Eu gosto de passar muito do meu tempo livre conversando com meu agente sobre seus outros clientes – eu tinha algo sobre ele.”

O que ele disse a Evans foi: Esse filme vai ser grande, e será quando você poderá fazer os filmes que quer fazer.” No curso duma maratona da carreira, Downey diz, é bom ter credenciais no currículo, porque você não é apenas um jogador do time, mas também porque faz sentido te apoiar nos projetos que você quer fazer, porque você já fez muito dinheiro para o estúdio”.

E também tem o fato de que Evans teve a chance de assinar um contrato para algo que provavelmente seria um divisor de águas na fascinação do momento por histórias em quadrinhos. “Eu acho que Os Vingadores são o ápice dessa fase de superherois no entretenimento – exceto, é claro, por Homem Aranha 3”, Downey afirma. “Vai exigir muita inovação para se manter vivo após isso.”

Capitão América é a única pessoa que restou que era realmente próxima a Howard Stark, pai de Tony Stark (o Homem de Ferro), o que significa que as histórias de Evans e Downey estão ligadas e farão muitas cenas juntos, o que pede que eles sejam amigos. Downey diagnostica o amigo nos seus termos com “alto distúrbio de ansiedade de tapetes vermelhos.”

“Ele apenas detesta esse jogo de Relações Públicas”, Downey diz. “É claro que há pressão para todo mundo nessa transição em que ele está. Mas ele facilmente lidará com essa pressão se ter certeza de que não está sendo preguiçoso. Por isso que eu o respeito. Eu não queria estar na pele dele. Mas seus motivos são puros. Ele apenas precisa beber um chá de camomila antes do tapete vermelho.”

“A maioria do mundo é apenas um espaço vazio”, Chris Evans diz, me vendo como se meu cérebro pudesse explodir ao ouvir o que ele estava contando – ou talvez ele tenha de brigar comigo caso eu tente contradizê-lo. Nós estamos de volta ao seu apartamento após um passeio para fumar na Zona de Combate.

“Espaço vazio!”, ele diz novamente, batendo na mesa e meio que gritando. Depois, devagar e sussurando, ele repete: “Espaço vazio, espaço vazio. Tudo que vemos no mundo, a vida, os animais, plantas, pessoas, tudo é um espaço vazio. Isso é incrível!”. Ele bate na mesa novamente. “Você quer outra cerveja? Tem que ser Bud Light. Se joga – você está em Boston. Okay, organize seus pensamentos. Eu preciso ir ao banheiro…”

Meus pensamentos são esses: esse cara está abraçando seu cachorro e conversando comigo sobre espaço e mortalidade e problemas com garotas de Boston que acreditam nas fofocas loucas sobre ele – esse não é o cara que eu esperava conhecer. Eu percebi que seria um ‘meatball’. Apesar, de verdade, eu nunca tenha chamado alguém de ‘meatball’ até que Evans me esclarecesse do que se tratava. Como em: minha irmã Shanna namora ‘meatballs’. E mais: “Quando eu faço entrevistas, eu prefiro ficar sendo o cara de Boston que bebe cerveja e não fala sobre bobeiras complexas, porque eu não quero cada ‘meatball’ dizendo, ‘então, o que você acha sobre budismo?”

Ao 17, Evans teve contato com uma cópia de Siddartha de Hermann Hesse e então começou seu questionamento espiritual. É um percurso de estudo e luta que, segundo ele, define seu verdadeiro propósito na vida. “Eu amo atuar. É o meu parque de diversões, me permite explorar. Mas a minha felicidade nesse mundo, meu nível de paz, nunca será ditado pela atuação”, ele afirma. “Meu objetivo na vida é entender minha mente. Você conhece alguma coisa sobre a Filosofia da Ásia Oriental?”

Eu bebo um gole de Bud Light e balanço minha cabeça em negação. “Eles falam sobre essa mente egóica, a parte que é consciente da sua própria existência, o vigilante, a pessoa que você pensa que está comandando essa máquina”, ele confirma. “E a separação disso e da mente é a raiz para o sofrimento. Há formas de controlar o que você pensa. Isso realmente não é apoiado pela sociedade ocidental, que se foca mais no “Corra atrás, ganhe isso, case-se!”.

Scarlett Johansson afirma que uma das coisas que ela mais gosta sobre Evans é como ele se mantém limpo dessa indústria quando se encontram. “Basicamente todo ator, ela diz, eu me incluo também, quando termina um trabalho, nós ficamos meio que ‘Bem, pra mim já deu. Foi bom enquanto durou. Ponha-me de escanteio.’ Mas Chris não me parece com um cara que se desgasta quando se fala do próximo trabalho.” Os dois se conheceram no set de Nota Máxima quando eram adolescentes e têm se mantido próximos; Os Vingadores é o seu terceiro filme juntos. “Ele tem essa forte presença masculina – um cara dos caras – e nós estamos acostumados a vê-lo interpretar esses personagens heroicos”, Scarlett diz, “mas ele é também muito sensível. Ele possui amigas bem próximas e você pode conversar com ele sobre qualquer coisa. E como bônus tem toda essa história de cantar e dançar, essas mãos de jazz. Eu sinto que ele cresceu com a Família Patridge. Ele ficaria tão feliz fazendo Guys and Dolls quanto Capitão América 2.”

East precisa fazer suas coisas, então Evans o leva para o telhado. Evans comprou esse apartamento em 2010 quando viver em Los Angeles em tempo integral já não era tão atrativo. Ele voltou para ficar mais próximo da família e de amigos mais próximos que ele mantém desde os tempos de ensino médio. A mudança também pareceu ser uma boa forma de se manter com os pés no chão em meio toda a confusão de egos de Hollywood.

“Eu acho que a minha pessoa de dia é diferente da minha pessoa à noite.” Evans diz. “Com os meus amigos da escola, nós bebemos cerveja e falamos sobre esporte e é ótimo. Meus colegas da aula de Budismo em LA, eram muito inteligentes e eu amo ficar com eles, mas eles não falam sobre os Celtics. E isso é uma parte de mim. É uma estranha dicotomia. Eu não me importo em ser de um jeito com um grupo de pessoas e ter esse outro lado meu que é só meu.”

Eu perguntei a Downey sobre Evans e sua outra personalidade. “É uma verdadeira merda”, Downey afirma. “Há essa inteligência inerente. Eu não acho que ele tente escondê-la. Mas ele é muito mais evoluído e muito mais culturalmente consciente do que ele transparece.”

Talvez ‘meatball’ e meditação possam coexisitir. Nós conversamos sobre nossos cérebros egóicos e sobre as garotas de Boston. “Eu amo cabelo molhado e calças de moleton”, ele diz em sua defensa. “Eu gosto de tênis e rabos de cavalo. Eu gosto de garotas que não são metidas e se acham demais. LA é cheia de garotas assim. Eu gosto das garotas de Boston que me desprezam. Não literalmente. Garotas que são difíceis, que me insultam um pouco.”

O chefe imbecil de Evans, claro, é ele mesmo. “O problema é que o cérebro que eu uso para descobrir esse mundo é um cérebro formado por ele.”, ele diz. “Nós nascemos nessa confusão, e nós temos a bênção de deixar isso pra lá.” Ele ainda acrescenta: “Eu penso nessas bobeiras pelo dia. E quando é à noite, é meio que, ‘foda-se, vamos beber!’”.

E então nós bebemos. Está ficando tarde. De novo. Nós deveríamos comer alguma coisa, mas Evans às vezes se esquece de comer: “Se eu apenas pudesse tomar uma pílula que me deixaria satisfeito para sempre, eu não pensaria duas vezes.”

Nós falamos sobre seu cachorro e sobre acampar e o porquê dele amar ficar sozinho mais do que qualquer coisa exceto talvez não ficar sozinho. “Eu juro por Deus, se você me ver quando estou sozinho na floresta, eu sou um lunático”, ele diz, “eu canto, eu danço. Eu faço coisas malucas.”

O entusiasmo incansável e envolvente de Evans é impressionante, é como uma forma de inteligência social. “Se você quer ter uma boa conversa com ele, não fale sobre o fato do quanto ele é famoso”, esse foi o conselho que recebi de Mark Hassem, que co-dirigiu Puncture. “Ele é explosivo, um cara que pode travar. Por um bom tempo, muitas horas seguidas.”

Eu parei de olhar pro relógio. Nós paramos de falar sobre filosofia e estamos num território mais emocional. Ele faz perguntas sobre meu filho de 9 meses, e então o Capitão América fica com os olhos cheios d’água quando eu falo da maravilha do seu nascimento. “Eu choro com tudo”, ele diz. “Eu me emociono. Eu amo tanto as coisas – eu não quero nunca perder isso.”

Ele fala sobre o quanto é próximo à família, o quão abertos todos eles são entre si. Sobre tudo, o tempo todo. “A primeira vez que fiz sexo”, ele diz, “eu corri pra casa e fiquei, ‘Mãe, eu acabei de fazer sexo! Onde fica o clitóris?’”

Espere, eu pergunto – ela contou a você?
“Ainda não sei onde fica, cara”, ele diz, e depois dispõe um sorriso misto de partes de comida e paz interior. “Eu simplesmente não sei. Faça alguns filmes, aí você não precisa saber…”

Tradução: Tássia Cintra.
Créditos: Chris Evans Brasil.